Meio Ambiente
por Leonardo Oliveira
Publicado em 20/06/2025, às 06h00
O trabalho de reciclagem em Salvador ganha novos contornos e projetos de inovação. Dados recentes mostram que, só em 2024, mais de 20 mil usuários ativos participaram da coleta seletiva, recolhendo mais de 1.020 toneladas de resíduos recicláveis, um salto expressivo em relação às 119 toneladas coletadas em 2019.
Dentro desse contexto, destaca-se o trabalho do Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), organização da sociedade civil fundada em 1995 e referência em ações voltadas para a sustentabilidade e justiça social. O CAMA atua para fortalecer a luta por direitos de grupos historicamente excluídos, promovendo cidadania, equidade e modelos de desenvolvimento ambientalmente sustentáveis.
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A instituição presta assessoria técnica a mais de 45 associações e cooperativas de catadores(as) de materiais recicláveis em toda a Bahia, alcançando diretamente mais de 1.200 associados e cooperados, além de 300 catadores autônomos. Durante o último Carnaval de Salvador, o CAMA foi peça-chave para que mais de 107 toneladas de resíduos sólidos fossem encaminhadas para reciclagem, beneficiando mais de 1.600 catadores, entre cooperados e autônomos. O trabalho também se estende a grandes eventos no interior, como a Micareta de Feira de Santana, onde foram coletadas mais de 8 toneladas de recicláveis, beneficiando 200 catadores.
Joilson Santana, coordenador executivo do CAMA, destaca a importância do protagonismo dos catadores e da inovação social promovida pela instituição:
“O trabalho do CAMA - Centro de Arte e Meio Ambiente tem fomentado e apoiado dezenas de empreendimentos econômicos solidários de catadores e catadoras de materiais recicláveis, além dos catadores(as) autônomos na Bahia, por meio de uma tecnologia socioambiental desenvolvida pela instituição, com foco na sustentabilidade socioambiental e na promoção da reciclagem e protagonismo dos catadores(as) de materiais recicláveis”, disse para o Bnews Junho Verde.
Para além de projetos como o CAMA, o hábito de exercer a prática de reciclagem também faz a diferença. É o caso de Maria Luiza, que nos conta como tal hábito faz parte de sua vida há bastante tempo.
“De 7 anos para cá, eu comecei a separar. Eu tinha dois baldes, um para coisas recicláveis, plástico, vidro, essas coisas, e outro para o lixo orgânico mesmo. Aí eu descobri o ecoponto lá no Itaigara. Mas na verdade, o que me motivou inicialmente foi o aprendizado dos meus filhos na escola, ainda na escola, quando crianças, que eu comecei a observar o que a gente fazia de errado, digamos assim”, conta Maria ao BNews Junho Verde.
“Depois eu entrei para trabalhar na Secretaria do Meio Ambiente, então isso ficou muito aflorado na minha cabeça por conta de eu estar dentro de uma secretaria que se preocupava com o meio ambiente e com essas coisas todas de um modo geral. E isso foi sempre me incomodando muito”, acrescentou.
Ela conta que com a existência do ecoponto, tornou-se uma prática constante fazer a separação dos resíduos e levar ao local.
“Quando eu descobri o ecoponto, eu passei a levar para lá sempre coisas recicláveis. Sempre o lixo orgânico, o lixo residual, digamos assim, os resíduos sólidos. Eu levava, por exemplo, as poucas pessoas sabem, para a biblioteca do lado do Colégio Itamar de Azevedo, onde você pode levar livros, revistas, tudo que você tiver de papel, porque eles mandam e distribuem entre as secretarias, os diretórios regionais da Secretaria de Educação pelo interior do Estado da Bahia. Eles recebem essas coisas”, afirma.
“A Biblioteca Central também recebe livro, mas o ecoponto recebe os recicláveis. Então, eu passei a levar para lá sempre vidro e plástico com uma certa frequência”, acrescenta.
Maria Luiza conta que tem incentivado sua comunidade a adotar tais práticas e até se dispõe a levar os materiais de outras pessoas da sua comunidade. Ela deixa um conselho para a população:
“O que eu aconselho é que as pessoas tenham um pouco de paciência consigo mesmo. Primeiro para se dar, para conseguir separar, botar dois baldes de lixo ou saco de lixo, como às vezes eu faço aqui. Façam isso, tornem disso um hábito. É difícil criar hábitos novos e se desfazer dos velhos, mas é possível, não é impossível. É só uma questão de gesto. Na hora de jogar no lixo, jogar separado”, diz. “Isso beneficia muitas pessoas, beneficia os catadores, beneficia uma série de grupos sociais, além da cidade”, conclui.
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