Meio Ambiente

Peixe 'invasor' é encontrado pela primeira vez na Bahia e ameaça ecossistemas locais

Matheus Lemos - Ascom Sema / Inema
Com captura de exemplar de 10 cm, autoridades alertam sobre riscos e necessidade de monitoramento da espécie invasora  |   Bnews - Divulgação Matheus Lemos - Ascom Sema / Inema
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 18/02/2025, às 10h02



Pela primeira vez, um peixe-leão (Pterois volitans), espécie invasora, foi encontrado e capturado na costa baiana. O registro foi feito durante uma operação de monitoramento do animal, na região de Morro de São Paulo, Baixo Sul da Bahia, por uma equipe multidisciplinar do Governo do Estado composta por biólogos, oceanógrafos e veterinários da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

O exemplar foi capturado e levado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) nesta sexta-feira (14), onde passará por análises e estudos em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Embora pareça inofensivo, o peixe-leão apresenta riscos ao equilíbrio dos ecossistemas marinhos, pois não possui predadores naturais no litoral brasileiro. Isso faz com que ele competia por alimento, o que pode reduzir o desenvolvimento de outros peixes e crustáceos, impactando a cadeia pesqueira.

“Recebemos a notificação de que havia um exemplar nos corais da ilha. Imediatamente montamos uma força-tarefa e enviamos uma equipe para inspecionar o local, junto com um mergulhador local que avistou o animal no sábado (8). Na quinta-feira (13), confirmamos o registro inédito do peixe-leão na Bahia, capturamos e o trouxemos para o Cetas. Agora, tomaremos as providências necessárias”, afirmou o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins.

Matheus Lemos - Ascom Sema / Inema
Matheus Lemos - Ascom Sema / Inema

De acordo com o secretário, após a constatação, o Governo da Bahia notificou os municípios da Costa Baiana, órgãos ambientais, a Secretaria da Saúde, a Bahia Pesca e a Marinha do Brasil. “Agora, começaremos a implantar um plano de resposta rápida à invasão do peixe-leão, seguindo as diretrizes do Manual de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida de Espécies Exóticas Invasoras Marinhas do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o plano estratégico do Programa de Gerenciamento Costeiro da Bahia. Já existe uma frente multidisciplinar na secretaria, que está avançando no controle, por exemplo, do octocoral, um bioinvasor encontrado na Baía de Todos-os-Santos, e agora também se dedicará ao estudo para controle da proliferação do peixe-leão”, destacou.

O peixe-leão capturado em águas baianas mede cerca de 10 centímetros e tem aproximadamente um ano de vida. Sua coloração inclui tons de branco, vermelho, laranja e marrom, com um corpo listrado. Nativo da região Indo-Pacífico, o peixe foi identificado no Brasil pela primeira vez em 2014, no litoral do Rio de Janeiro. Desde 2022, há registros da espécie entre os estados de Pernambuco e Alagoas.

Segundo a oceanógrafa da Sema, Alice Reis, a origem do indivíduo capturado em Morro de São Paulo ainda será investigada. “Há a possibilidade de que tenha sido trazido pelas correntes marítimas, na forma de larva, de Pernambuco, onde há registros de grande reprodução. Também trabalhamos com a hipótese de uma reprodução local, o que indicaria a presença de outros exemplares na nossa costa. Neste momento, é essencial que pescadores, mergulhadores e banhistas estejam atentos e comuniquem o aparecimento de outros exemplares”, afirmou.

A Descoberta
O mergulhador profissional e morador de Morro de São Paulo, Diego Marques, foi o primeiro a avistar o peixe. “Estava em uma atividade perto da costa quando vi o animal. Ele me chamou a atenção, pois nunca tinha visto essa espécie na região. Registrei e avisei imediatamente as autoridades. Recebi o contato do Inema, que foi realizar a expedição e captura. Estou orgulhoso de ter contribuído com minha experiência de mergulho, retirando esse peixe que poderia oferecer riscos para nossas atividades diárias”.

O biólogo marinho do Inema, Eduardo Barros, explicou a ação da equipe para localizar e capturar o animal. “Realizamos vários mergulhos, primeiro para fazer um reconhecimento da área e, depois, começamos as buscas nas rochas e recifes de corais, locais onde o peixe costuma se abrigar. Usamos equipamentos adequados, como redes especiais e luvas reforçadas, para evitar o contato direto com os espinhos dorsais, altamente venenosos, que podem causar dor intensa e reações alérgicas”, alertou.

Riscos ao Meio Ambiente
Espécie exótica nativa do Indo-Pacífico, o peixe-leão pode crescer rapidamente. Quando adulto, pode atingir até 47 cm e possui 18 espinhos venenosos, representando uma grande ameaça à biodiversidade local e à saúde humana.

“O grande problema é que esse animal exótico é predador de várias espécies da nossa fauna marinha, não tendo predadores naturais no Oceano Atlântico. Além disso, é venenoso e tem uma alta taxa de reprodução”, enfatizou o veterinário do Cetas/Inema, Marcos Leônidas.

Ele também alertou para que as pessoas não tentem capturar o peixe. Caso haja contato acidental, é fundamental procurar imediatamente um posto de saúde. “Embora os acidentes com o peixe-leão sejam raros, ele injeta uma toxina neuromuscular ao perfurar a pele humana, o que pode causar ferimentos de leves a graves, com sintomas como necrose no local, náuseas, febre e até convulsões”, concluiu.

Alerta à População
A Sema e o Inema continuam monitorando a situação e reforçam a importância da colaboração da sociedade para conter a proliferação do peixe-leão na costa baiana. Em caso de avistamento, não tente capturá-lo. Se ocorrer a pesca acidental do peixe-leão, não o devolva ao mar. Nessas situações, o importante é agir rapidamente e entrar em contato com o Inema pelo Disque Denúncia 0800.071.1400, pelo e-mail denuncia@inema.ba.gov.br ou pelo Resgate no WhatsApp 71 99661.3998.

Classificação Indicativa: Livre

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