Meio Ambiente

"Processo da COP está travado, mas empresas podem fazer a implementação acontecer” diz liderança empresarial

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COP29: Para Marina Grossi, presidente do CEBDS, investimentos em tecnologias limpas não vão parar  |   Bnews - Divulgação BNews

Publicado em 23/11/2024, às 08h19   Por Andrea Vialli - de Baku, Azerbaijão



A COP29, que estava prevista para encerrar nesta sexta-feira (22), ainda está com entrave nas negociações entre os 195 países que compõem a Convenção do Clima da ONU. Na prática, as reuniões devem seguir pelo sábado, em Baku, Azerbaijão.

O principal impasse diz respeito às negociações sobre a nova meta de financiamento climático: os países em desenvolvimento apontaram a necessidade de pelo menos US$1,3 trilhão ao ano até 2030 em fluxos financeiros vindos dos países ricos, que podem vir de fontes tanto públicas quanto privadas.

“O processo da COP29 está muito travado, e ainda temos a sombra dos Estados Unidos, que é o país que mais emite per capita e é bem possível que saiam do Acordo de Paris”, afirma Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), entidade que reúne mais de 110 grandes empresas no país e promove a agenda climática corporativa.

Independente do contexto geopolítico desfavorável e do desfecho que pode sair da COP29, a implementação de ações na direção da economia de baixo carbono está acontecendo, na visão da especialista. “Um acordo sem os EUA enfraquece um pouco o processo, mas sinto que as empresas já tem tanto investimento na área, pelos motivos econômicos, que não dá para voltarmos atrás. É onde fica depositada a maior esperança dessa COP", diz Marina. 

Segundo ela, existem três trilhas nas COPs: a da ciência, representada pelas informações científicas trazidas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU; a trilha das negociações entre as partes - onde estão os impasses atuais - e a trilha da sociedade, representada pelos acordos feitos entre empresas e organizações da sociedade civil. "São elas que fazem a implementação acontecer", afirma. 

Exemplo é o acordo em torno do mercado de carbono, que foi um dos pontos de avanço em Baku, por meio do Artigo 6.4 do Acordo de Paris, que deve fomentar regulamentações sobre o tema em cada país. O Brasil conseguiu aprovar, na mesma semana, o PL que traz regramento ao mercado doméstico de carbono. 

A notícia foi bem-recebida pelas empresas associadas ao CEBDS, que levantavam essa bandeira desde 2016. Segundo Marina, colocar um preço sobre as emissões de carbono vai viabilizar a transição para atividades mais limpas. "Se não houver um preço sobre o carbono, se emite mais. Então é preciso que esse preço oriente as ações das empresas e privilegie projetos e empresas mais renováveis, mais verdes", diz. 

A COP29, Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, conta com cobertura exclusiva do BNews.

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