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Publicado em 21/10/2026, às 10h45 - Atualizado às 13h14 Gabriel Dinis
O governo da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, aprovou nesta terça-feira (20) um novo e rigoroso pacote de medidas de segurança pública que endurece penalidades contra manifestantes e restringe atos de desobediência civil no país. A decisão, deliberada em reunião do Conselho de Ministros, entra em vigor de forma imediata por meio de decreto-lei e será submetida nos próximos 60 dias à ratificação do parlamento, onde a coalizão de direita possui ampla maioria.
O texto cria formalmente a tipificação penal de “participação violenta em manifestação”, que prevê penas de até cinco anos de prisão e multas que chegam a 20 mil euros (cerca de R$ 120 mil). A punição pode ser agravada caso os participantes usem máscaras para ocultar o rosto, portem objetos perfurantes ou provoquem ferimentos em agentes de segurança.
Entre as medidas de maior impacto do pacote, destaca-se a criminalização de bloqueios de rodovias, ferrovias e vias públicas, tática frequentemente utilizada por movimentos ambientalistas e piquetes sindicais, que agora deixam de ser infrações administrativas e passam a configurar crime passível de reclusão.
Italy: Unrest in Italy Violent unrest broke out across Italy yesterday, in protest against the high cost of living, specifically low wages and high fuel prices.The Piazza del Duomo Milan’s most famous tourist attraction,turned into a battlefield....18-10-2026 https://t.co/MXuXjy0J3K
— Rowan Van Dijk (@Lastkombo) October 18, 2026
O endurecimento também atinge diretamente os atos protagonizados por jovens. Com as novas diretrizes, pais e responsáveis legais responderão financeiramente de forma imediata por danos materiais e atos de vandalismo cometidos por menores de idade durante as manifestações.
Além da cobrança às famílias, as autoridades policiais ganharam aval para estender a retenção preventiva de menores em delegacias para além do teto anterior de 12 horas, medida voltada para a identificação e triagem de envolvidos. Como reforço operacional nas ruas, o governo autorizou a mobilização de 500 militares das Forças Armadas para patrulhar vias públicas e estações de trem ao lado da polícia local.
Reação de sindicatos e entidades de direitos humanos
O pacote desencadeou fortes protestos da oposição política e de organizações da sociedade civil. A CGIL (Confederação Geral Italiana do Trabalho), maior central sindical do país, classificou a legislação como "liberticida", acusando a gestão de Meloni de querer sufocar o direito constitucional de greve e de reunião pacífica.
Entidades internacionais de direitos humanos também emitiram alertas sobre o risco de criminalização de movimentos sociais legítimos e o uso de conceitos jurídicos vagos que dão margem à repressão arbitrária de divergências políticas.
Em defesa da matéria, Meloni e membros de seu gabinete sustentam que a medida é essencial para resguardar a ordem pública, combater o vandalismo urbano e proteger policiais contra agressões reiteradas em atos de rua.
Contexto das manifestações europeias
A ofensiva legislativa de Roma ocorre em meio a um cenário de crescente tensão social no continente. A onda de protestos que tem tomado as capitais europeias nos últimos dias é impulsionada pela crise no custo de vida, reivindicações climáticas radicais de desobediência civil e manifestações contrárias às políticas externas e migratórias dos governos da União Europeia. Esse cenário tem levado administrações conservadoras a responder com endurecimento policial.
Na Itália, a nova legislação consolida a guinada de "tolerância zero" promovida pela direita no poder desde 2022, transformando o controle das ruas em um dos principais campos de batalha política entre o governo e os movimentos sociais.
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