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Baiano relata momentos de tensão durante viagem ao Nepal em meio a onda de protestos e mortes: 'Sensação total de insegurança'

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Protestos violentos já deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos no Nepal desde segunda-feira (8)  |   Bnews - Divulgação Arquivo pessoal
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 10/09/2025, às 12h21



O baiano Rian Humberto Silva, de 41 anos, transformou seu perfil no Instagram em um verdadeiro álbum de viagens por países como Inglaterra, Portugal, Austrália e China, onde faz questão de mostrar as belezas e curiosidades de cada canto do mundo. Mas foi no Nepal, seu destino mais recente, que ele presenciou o lado mais sombrio da aventura de um ano: a tensão política que transformou o país em palco de protestos violentos.

Desde a última segunda-feira (8), o Nepal enfrenta manifestações que já deixaram ao menos 25 mortos e centenas de feridos. O estopim foi a decisão do governo de bloquear 26 redes sociais, como WhatsApp, Instagram e Facebook, alegando que elas espalhavam desinformação e fraude. A medida foi suficiente para levar milhares de pessoas da "Geração Z" às ruas.

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Durante os protestos, a casa do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal foi incendiada, e a esposa dele, Rajyalaxmi Chitrakar, queimada viva. A residência do atual premiê, K. P. Sharma Oli, também foi atacada, assim como prédios emblemáticos, como o Parlamento, o gabinete da Presidência e a sede do Supremo Tribunal. Alguns ministros precisaram ser resgatados de helicóptero pelo Exército após terem suas casas invadidas.

Clima de guerra

Em entrevista ao BNews, o economiário contou que chegou ao Nepal em 26 de agosto e conseguiu conhecer diversas cidades. Mas foi justamente na segunda-feira (8), quando deixou a cidade de Pokhara rumo à capital, Katmandu, que percebeu a gravidade da situação.

"Quando cheguei à capital e fui pegar um táxi para o hotel, o motorista me informou que tinha começado uma onda de protestos e que, naquele dia, mais de 15 pessoas haviam morrido, a maioria jovens e adolescentes. Chegando no hotel, encontrei um clima de tensão, pois vi que todo o comércio estava fechado", relembrou.

Com o visto de turista de 15 dias prestes a expirar, Rian já tinha passagem comprada para Nova Delhi, na Índia, mas se viu diante da possibilidade de ficar temporariamente preso no Nepal.

"Não tinha táxi, moto, ninguém disponível para me levar para o aeroporto. O dono do hotel tentou me ajudar de todas as formas, até que fomos para o meio da rua e conseguimos um transporte. O motorista aceitou me levar, mas disse que, se houvesse algum risco maior, me levaria de volta para o hotel", disse.

No caminho, o baiano se deparou com um cenário quase de guerra: barricadas, focos de incêndio e multidões. "Algumas pessoas tentaram até impedir que a gente chegasse ao aeroporto, mas o taxista explicou que eu era um turista brasileiro e conseguimos passar", disse.

Se nas ruas a situação já parecia crítica, no aeroporto era tão ruim quanto. Segundo Rian, centenas de pessoas tentavam deixar o país, mas acabaram sendo "barrados" junto com ele.

"A [companhia aérea] Air India chegou a confirmar meu voo, marcado para as 14h (horário local), mas depois informou que não seria possível realizar nenhuma viagem e que todos deveríamos evacuar. Não ofereceram hospedagem, alimentação ou qualquer tipo de garantia. Deixaram os passageiros à própria sorte", relatou. Sem outra alternativa, o baiano foi ajudado por dois funcionários e levado para um hotel próximo ao aeroporto, que já estava tomado pelo exército e por manifestantes.

"Eles queimaram pneus, jogaram pedras. A sensação era de total insegurança, com muitas coisas incendiadas, muita fumaça. Fui orientado a ficar preso no hotel, e isso mudou completamente meus planos", completou.

Rian chegou a entrar em contato com a embaixada brasileira no Nepal, relatando a situação do visto e pedindo ajuda para deixar o país. A única orientação recebida foi tentar chegar a um hotel localizado a cerca de 5 km dali. Depois disso, não obteve mais retorno.

Situação política

O exército nepalês voltou às ruas de Katmandu com mais firmeza nesta quarta-feira (10), em uma tentativa de conter a onda de protestos contra a corrupção no país.

Com mais de 30 milhões de habitantes, o Nepal deixou de ser uma monarquia apenas em 2008, após uma guerra civil que durou uma década. Desde então, já passou por mais de 12 governos diferentes.

A juventude é a parcela mais revoltada da população, sobretudo pela falta de oportunidades e pela corrupção. Em 2024, a taxa de desemprego entre nepaleses de 15 a 24 anos chegou a 20,8%, segundo o Banco Mundial.

Grande parte da insatisfação também vem pelos chamados "Nepo Kids", filhos de políticos que exibem estilos de vida luxuosos, em total contraste com a vida de grande parte da população.

Após a renúncia do primeiro-ministro KP Sharma Oli, um dos nomes mais cotados para assumir o governo é Balendra Shah, de 35 anos. Ex-rapper e compositor, ele ganhou projeção ao ser eleito prefeito de Katmandu em 2022, depois de uma campanha focada na limpeza de ruas e rios da cidade.

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