Mundo
por Cibele Gentil
Publicado em 03/07/2026, às 09h40
O navio Scarlet Lady, levando cerca de 1.900 passageiros, foi impedido de atracar nas cidades turcas de Kuşadası e Istambul. A embarcação realiza uma viagem voltada para o público LGBTQ+ e a maioria dos turistas a bordo é de origem dos Estados Unidos. As autoridades locais cancelaram a parada. A justificativa informada foi de que o grupo tem comportamentos incompatíveis com a sociedade turca.
De acordo com o roteiro, o cruzeiro "Atenas a Veneza" partiria da Grécia no próximo domingo (5) e chegaria à Turquia dois dias depois. A rota da viagem precisou ser alterada às pressas para desviar do território turco.
Segundo informações da CNN Internacional, o navio pertence à Virgin Voyages e foi fretado pela Atlantis Events. A empresa organizadora da viagem informou que o navio agora fará paradas no Cairo, no Egito, e na ilha de Creta, na Grécia.
A polícia de Istambul chegou a fazer uma batida em um bar da cidade, após a divulgação de um panfleto sobre uma suposta festa promovida pela Atlantis Events no local. No entanto, a empresa negou qualquer ligação com o folheto.
Restrições à comunidade LGBTQ+ na Turquia
O posicionamento do governo turco, que nos últimos dez anos adotou uma postura mais agressiva, tem gerado críticas de organizações internacionais de direitos humanos. O AKP, partido do presidente Tayyip Erdogan, tem endurecido o discurso contra a comunidade LGBTQ+.
As paradas do Orgulho LGBTQ+ em Istambul estão proibidas desde 2015. O governo da Turquia alegou, na época, preocupações com a segurança pública para impedir a realização dos eventos de rua.
Sobre o cruzeiro, as autoridades da província de Aydin declararam que a proibição é definitiva. A administração regional afirmou que não há possibilidade de o grupo visitar a província para um evento com esse perfil.
“Preocupante”
O presidente da Atlantis Events, Rich Campbell, fez duras críticas sobre a decisão do governo turco. "É muito preocupante para mim quando um país decide que pode escolher quais turistas têm permissão para entrar e quais não têm", declarou.
Segundo o executivo, esta é a primeira vez em 36 anos que a empresa é impedida de atracar por este motivo. Ele lembrou que a Atlantis não é uma organização política e que o objetivo da viagem é apenas o turismo e o lazer, respeitando as culturas locais.
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