Mundo
por Bruna Ferraz
Publicado em 14/12/2024, às 12h53
A baiana Denny Silva, natural de Irará, denunciou ao BNews que está sendo vítima de racismo. Moradora de Portugal há cerca de oito anos, a criadora de conteúdo digital afirmou que os ataques preconceituosos são constantes, contudo, o mais recente aconteceu na sexta-feira (13), em um ônibus de viagem, a caminho do Santuário de Fátima, ponto turístico do país lusitano.
De acordo com o relato da brasileira, durante a viagem, ela inclinou um pouco o banco do ônibus para descansar. Contudo, uma passageira que estrava logo atrás, portuguesa, reclamou da inclinação e disse que ela deveria deixar a sua poltrona reta. Ao receber uma negativa da baiana, a mulher então disse que não sabia de onde Denny vinha, mas que ali, em Portugal, as coisas funcionam dessa forma.
“Você não sabe de onde eu venho, mas eu vou te dizer de onde eu venho. Eu não vou tolerar mais falas racistas, preconceituosas comigo”, disse a denunciante, rememorando a situação.
Para se defender e provar o que estava acontecendo, Denny Silva decidiu então gravar a mulher, que reverteu a situação. A portuguesa ligou para a polícia e, ao chegar em Fátima, foi recepcionada pelos agentes.
Denny decidiu iniciar uma gravação ao vivo através da sua conta no Instagram, mostrando o que estava acontecendo. Os policiais a abordaram e queriam levar os seus documentos, mas ela não permitiu e disse que poderia acompanhá-los até a delegacia, onde também registraria uma queixa de racismo contra a portuguesa.
A live ficou disponível nas redes sociais, entretanto, em decorrência dos inúmeros ataques que recebeu nos comentários do vídeo, a brasileira resolveu arquivar o conteúdo. Dentre as mensagens de ódio, parte delas foi publicada por um grupo que se autodenomina 1143.

“Desde então eu venho recebendo ataques surreais, monstruosos mesmo! O vídeo está circulando no Twitter com ameaça de morte de vários grupos extremistas, um deles chamado 1143. Eu estou realmente sentindo medo, porque eu sei que é um grupo em que eles não param de me mandar mensagem, principalmente no Twitter e no Instagram”.

Os agentes não a levaram para a delegacia, segundo o relato da baiana. Para Denny, eles recuaram em decorrência do vídeo que ela gravava. A baiana pediu para ir realizar a denúncia, mas os homens a mandaram dirigir até um posto policial.

A portuguesa, acusada por Denny de racismo, registrou uma queixa contra ela. “Ironia do destino: o agressor passou a ser a vítima”.

Racismo recorrente
Essa não é a primeira vez que Denny Silva se sente atacada durante o seu período morando em Portugal. De acordo com ela, em agosto desse ano, por exemplo, ela foi agredida na rua e teve o seu celular quebrado. Na ocasião, um homem português puxou o seu cabelo
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“Eu sou black, né? Então tem isso também, o fato de eu ser negra e black, e foi assim, gratuitamente. Acaba despertando um certo ódio neles, na grande maioria. Eu não sei se vocês já ouviram falar que em Portugal o preconceito é muito, muito forte mesmo. Enfim, acabou gerando essa discussão”, disse.
Denny destacou que o ataque foi denunciado ao Ministério Público, mas foi arquivado. Segundo consta no processo, não há provas o suficiente para a identificação do indivíduo.
“Aconteceu em rua turística e eles disseram que não tinha câmeras. No processo eu descrevi toda situação e danos inclusive o meu iPhone novo. Foram danos morais, psicológicos, mas mencionaram apenas que puxaram o meu cabelo na rua”.
Caso mais recente também será denunciado
O vídeo publicado por Denny para denunciar o caso em Fátima foi arquivado nas redes sociais, em decorrência das diversas mensagens de ódio que a baiana estava recendo. Os prints do que disseram os usuários, entretanto, foram guardados como prova e serão apresentados às autoridades. O BNews teve acesso aos prints. Confira:

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