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Mais de 200 brasileiros foram deportados, em agosto, do Reino Unido para o Brasil, depois de o Partido Trabalhista, legenda considerada de centro-esqueda, assumir o poder após 14 anos de governos conservadores. A deportação, a maior já registrada na história, devolveu brasileiros que tiveram requerimentos de asilos negados ou por causa do cometimento de crimes. As informações são do jornal britânico The Times.
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O governo britânico fretou um Airbus A340 que saiu de Beja, em Portugal, e seguiu até o Aeroporto Stansted, em Londres, para buscar os deportados. De Londres, o voo partiu às 23h28 de sexta-feira (23), para Guarulhos, em São Paulo, onde pousou às 06h43 do sábado (24), conforme dados do site AirNav Radar Box, que monitora rotas de voos pelo mundo.
Após tomar posse em julho, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou que não iria seguir a política do antecessor dele no cargo, Rishi Sunak, de deportar requerentes de asilo que chegam ao Reino Unido, oriundos de Ruanda, em pequenos barcos e até mesmo botes.
O projeto, uma das principais políticas de Sunak para impedir a imigração ilegal, seria posto em prática no final de julho, mas aguardava o fim do processo eleitoral no país.
“O plano de Ruanda estava morto e enterrado antes de começar. Nunca foi um impedimento (para travessias de pequenos barcos)”, disse Starmer.
Entretanto, ao que parece, conforme o The Times, o projeto apenas mudou de rumo. Os voos para o Ruanda não foram cancelados, mas sim redirecionados. A aeronave que o ex-primeiro-ministro Rishi Sunak tinha encomendado para as deportações iniciais de Ruanda, enviou, já no governo do Partido Trabalhista, 46 criminosos estrangeiros e infratores de volta para o Vietnã e para o Timor-Leste.
A Ministra do Interior do Reino Unido, Yvette Cooper, esvaziou o projeto Ruanda, tirando dele cerca de 300 funcionários do ministério, mas os colocou em processos de deportação de imigrantes cujos requerimentos de asilos foram negados.
Segundo o Ministério da Administração Interna, com o fim do projeto, o governo poupará 220 milhões de libras em novos pagamentos diretos ao Ruanda nos próximos anos.
Uma fonte do ministério afirmou ao The Times que os esforços serão concentrados em medidas que de fato podem ser concretizadas e não em "esquemas impraticáveis"
“Trata-se de concentrar todos os recursos do departamento no que podemos fazer, em vez de nos distrairmos com conceitos e esquemas impraticáveis, como a política de Ruanda sob a administração anterior.”
Quando o Partido Trabalhista estava no poder, até 2010, o Reino Unido deportava cerca de 46 mil pessoas por ano. Com os conservadores, esse número caiu para uma média de 27 mil em 2023.
A estimativa de Yvette Cooper é devolver a seus países de origem cerca de 14.500 imigrantes ilegais até o final do ano, já que ela enxerga que sua área de atuação pode trazer feitos significativos para o governo britânico.
Como a segurança dos países de origem impactam na política de deportação
O plano para aumentar as deportações mira o retorno de imigrantes para países considerados seguros de acordo com os direitos britânico e internacional e com os quais foram celebrados acordos com procedimentos bem detalhados. Entre eles estão Vietnâ, Paquistão, Albânia, Turquia, Egito, Iraque e Índia.
O Vietnã, em específico, chama a atenção por conta do aumento expressivo do número de imigrantes que chegam do país do sudeste asiático. Até junho esse quantitativo quadruplicou e os vietnamitas formam hoje a maior nacionalidade de refugiados de pequenas embarcações.
Porém, esse projeto do partido de centro-esquerda esbarra na falta de um plano para lidar com imigrantes oriundos de países tidos como inseguros, como o Afeganistão, a Síria e o Irã, para os quais os ilegais não podem ser devolvidos. O problema é ainda maior porque, depois do Vietnã, estas três nacionalidades são responsáveis pelo maior número de chegadas de pequenas embarcações, com 4.996 somente nos primeiros seis meses do ano.
Segundo o The Times, a ideia do Partido Trabalhista é acabar com os impedimentos criados pelos conservadores para que refugiados de pequenas embarcações peçam asilo, o que significa que a maioria terá o direito de permanecer, centrando as deportações apenas para os países considerados seguros para seus nacionais.
Em relação às nações inseguras, o Reino Unido concede asilo a 96% dos requerentes afegãos, 99% dos sírios e 82% dos iranianos. E mesmo que o volume de chegadas destes países seja maior que a possibilidade de concessão de asilos, os que tiverem seus requerimentos rejeitados ficarão de forma irregular no país, mas não poderão ser devolvidos para casa.
Tony Smith, antigo diretor da Border Force, um comando policial do Ministério do Interior que atua nas fronteiras do país, critica a política que está sendo implementada.
“Afegãos, iranianos e sírios vão continuar a alimentar a cadeia de abastecimento do contrabando. Não vejo qual é o fator de dissuasão neste momento. Talvez consigamos aumentar o volume de remoções, mas continua a haver um fator de atração das nacionalidades para as quais normalmente não podemos remover pessoas e não vejo um plano para substituir o Ruanda”, disse.
Centros de detenções
Os trabalhistas anunciaram que estão avançando com os planos iniciados por Rishi Sunak de reabrir dois centros de detenção de imigrantes - Campsfield, nos arredores de Oxford, e Haslar, em Hampshire -, o que proporcionará mais 290 camas até ao final do ano.
A ação está sendo condenada por instituições de solidariedade social para com os refugiados, que já expressaram consternação pelo o que consideram ser a continuação da política dos conservadores pelos trabalhistas.
A Anistia Internacional acusou Yvette Cooper de promover uma “mensagem antiga de medo e hostilidade” em relação aos requerentes de asilo, em vez de se concentrar na abertura de vias seguras e legais.
O governo britânico aumentou em 50% no número de agentes da Agência Nacional do Crime enviados para trabalhar na Europol e ajudar na identificação e desmantelamento dos grupos de contrabando de pessoas.
Uma fonte senior do Partido Trabalhista disse ao The Times que “O que fizemos nas últimas sete semanas contribuiu para as chegadas mais baixas do que o normal nesse período. Mas a história diz-nos que os grupos de contrabandistas mudam as suas tácticas e temos de estar preparados para nos adaptarmos”
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