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Na Sombra do Poder: O valentão

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Os bastidores da política baiana  |   Bnews - Divulgação Imagem criada por IA

Publicado em 02/04/2026, às 06h00 - Atualizado às 06h00   Editoria de Política



O valentão
Um ex-parlamentar baiano pode ir para a cadeia em breve. Relatos que circulam em rodas restritas falam de um episódio envolvendo uma agressão contra a própria esposa, que está com medida protetiva. O NSP já recebeu todo o material e o caso é estarrecedor. Entre aliados, o constrangimento já é evidente – e o silêncio, ensurdecedor.

Nutróloga do Amor
Uma famosa nutróloga baiana está deixando de cabelo em pé até o mais Kojak do Tomé de Souza. Entre biopedâncias e receitinhas anabolizantes, a morena vem turbinando dois empresários locais com doses generosas de GH: um do ramo de locação de veículos e outro da coleta urbana. O resultado não poderia ser outro: divórcio dos dois em andamento, partilhas explosivas e advogados já faturando alto. A moça anda com o sorriso largo, mas resta saber quem vai ficar com a morena no final da consulta.

O Italiano Lambuzado
Em Salvador, um italiano que gosta de usar sapatos Ferragamo e camisas de algodão egípcio transita com a leveza de quem nasceu em tapete vermelho. Ele circula com a mesma desenvoltura nas rodas da alta sociedade soteropolitana e nos corredores da Faria Lima, sempre com o sorriso de galã e o cordão de ouro aparente. Mas as autoridades federais não estão impressionadas com o figurino. PF e MPF o monitoram de perto, muito perto. O rapaz se lambuzou feio. Molho de tomate e muito vinho consumidos em algumas licitações estaduais deixaram vestígios indestrutíveis. Capisce, bambino?

Anatomia do poder
Na política baiana, tem figurão sendo comparado a órgão vital de outro. Marcinho Oliveira já é tratado como pulmão de Elmar Nascimento, garantindo fôlego quando o ambiente aperta. José Trindade aparece como fígado de Rui Costa, filtrando o que chega mais pesado. Nos bastidores, dizem que Adolpho Loyola hoje cumpre papel de coração de Jerônimo Rodrigues, mantendo o ritmo do grupo. Já Jaques Wagner seria o cérebro de uma ala inteira do PT. E Bruno Reis, com a sua rejeição crescente, está virando a joanete de ACM Neto.

O árbitro chegou
A passagem de Luiz Inácio Lula da Silva por Salvador deve ter reflexos diretos na montagem da chapa governista para 2026. Nos bastidores, cresce a expectativa de que o presidente assuma o papel de fiador e ajude a destravar a escolha do vice do governador Jerônimo Rodrigues. A definição, se vier, tende a consolidar alianças e dar o tom da estratégia do PT no estado.

Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação

Operação Tabajara
O ex-deputado estadual Alex Lima, queridinho de Rui Costa, resolveu expor o incômodo com a condução do governador Jerônimo Rodrigues na escolha do vice da chapa à reeleição. Em postagem nas redes, classificou o processo como uma “tragédia” e comparou a articulação a uma “novela”, com direito a carimbo ácido: “operação tabajara”. Nos bastidores, a crítica ecoou como recado direto ao núcleo duro do governo, em meio ao impasse que se arrasta sem desfecho.

Morte ou ressurreição?
“Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria; ainda que a guerra se levantasse contra mim, nele confiaria”. O versículo do Salmo 27 foi publicado pelo vice-governador Geraldo Júnior, diante das incertezas e especulações sobre a sua manutenção como vice na chapa de Jerônimo Rodrigues. O trecho, publicado na segunda-feira (30), foi também lido na liturgia da Segunda-feira da Semana Santa, no calendário católico, cujas leituras focam no itinerário de Jesus Cristo até a crucificação na Sexta-feira. Geraldo estava focando na Paixão ou na ressurreição na Páscoa? Na retirada da chapa ou na manutenção após uma via crucis? O emedebista, que passa por um processo de fritura diária, vive a incerteza de ser ainda o escolhido por Jerônimo.

Caneta com tinta
Nos bastidores, a resistência de Ivana Bastos em aceitar a vice numa chapa petista passa longe de qualquer dilema ideológico. A conta é simples: não faz sentido largar o comando da Assembleia e seu orçamento fabuloso para se aventurar como coadjuvante. Possivelmente reeleita com folga e com trânsito consolidado, a pessedista não demonstra qualquer disposição de abrir mão da caixa-preta da Alba para entrar em uma aposta incerta.

De olho no DOE
O prazo do fim da desincompatibilização é no sábado, mas o governador Jerônimo Rodrigues decidiu manter o suspense e deixou para a última hora a exoneração dos seus secretários que vão disputar as eleições de outubro. Vale lembrar que o petista tinha prometido liberar seus auxiliares no início do ano, mas não cumpriu a promessa. Além disso, ele também não revelou todos os nomes que iam deixar o secretariado e, por isso, o Diário Oficial pode trazer surpresas.

Apetite insaciável
O PSD vem abocanhando deputados ao longo da janela partidária. As perdas de Angelo Coronel Filho e Cafu Barreto já foram compensadas pelas entradas de Ludmilla Fiscina e Niltinho. Ainda existe a expectativa da entrada de mais três deputados estaduais, que avaliam a filiação. O partido liderado pelo senador Otto Alencar vai em busca de formar a maior bancada da Alba.

"Diversidade"
No ato de pré-candidatura de ACM Neto em Feira de Santana, o palanque parecia ter seguido um curioso padrão estético, quase monocromático, destoando da paleta vibrante que define a Bahia. Entre um discurso e outro, o que se via era uma composição pouco afeita à diversidade que marca o estado. 

Capitanias hereditárias
A presença de Lívia Magalhães no entorno de ACM Neto voltou a movimentar os bastidores, desta vez com direito a palco em Feira de Santana. Sem discurso, mas bem posicionada, a estudante de administração da Fundação Getulio Vargas repetiu o roteiro de aparições recentes e aos poucos vai sendo inserida nos holofotes.

De escanteio 1
O que dizer de Marcelo Nilo, hein? Ele, que já foi uma das figuras mais cortejadas da política baiana, sai de cena de uma maneira melancólica. E isso ficou evidente no lançamento da pré-candidatura de ACM Neto. O ex-presidente da Alba, que passou os últimos meses chorando por uma vaga na majoritária, nem sequer teve lugar para se sentar na coletiva de imprensa da chapa. Quem diria, hein? O mundo realmente dá voltas.

Foto: Thiago Teixeira / BNews

De escanteio 2
Inclusive, falando em Nilo, antes de começar a solenidade para anúncio dos novos secretários no Palácio Thomé de Souza, na última terça-feira (31), o ex-cacique sentou em uma cadeira que já estava reservada para outra pessoa e precisou ser realocado por uma das organizadoras para outra cadeira. Acontece que nessa cadeira havia a plaquinha do vereador Cláudio Tinoco, que precisou ser retirada para alocá-lo.

Diamantes da Alba
A Assembleia Legislativa, durante 16 anos, conheceu diversos diamantes, muitos deles escondidos em gabinetes e gavetas de servidores da Casa. Deputados baianos, acostumados a guardar troféus em suas prateleiras e até mesmo diamantes expostos em suas escrivaninhas, estão botando tudo para fora após essas operações na Casa Parlamentar baiana. O que antes era tratado como peça de ostentação silenciosa agora vira motivo de preocupação nos corredores. Há quem diga que o brilho das pedras passou a incomodar mais do que enfeitar.

Marcinho e o Fantástico
Já são duas operações da PF na conta do deputado estadual Marcinho Oliveira (PRD): a Santa Rota, de 2024, e a de ontem, 1º de abril de 2026. A elite baiana já fez as apostas nos grupos de WhatsApp: quando será que o parlamentar vai pedir música no Fantástico? A torcida está dividida entre “Preso em Mim”, “A Estrada é Longa” e o clássico “Tá Escrito”. Enquanto isso, o deputado segue posando de inocente. Mas em Salvador, quando o nome aparece duas vezes no noticiário da PF, o próximo passo costuma ser o controle remoto na mão e o telefone tocando para a Globo e suas afiliadas.

Foto: Henrique Brinco / BNews

Falando para as paredes
A despedida de Fabíola Mansur da Alba escancarou um velho vício da Casa. Enquanto a deputada discursava, um grupo de parlamentares homens conversava e gargalhava alto atrás da mesa diretora, ignorando completamente a fala. O desrespeito, mais do que episódico, soou como sintoma de um ambiente ainda marcado pelo machismo.

Foto: Henrique Brinco / BNews

Um pé lá e outro cá
Aliado do prefeito Bruno Reis, o presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz, resolveu fazer um gesto que atravessa a praça. Apresentou projeto para conceder a Medalha Thomé de Souza ao secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, homem de confiança de Jerônimo Rodrigues. A homenagem, sob o argumento de “relevantes serviços prestados”, é mais um aceno calculado ao Palácio de Ondina.

Foto: Devid Santana / BNews

Profecia de quem sabe
O clima no Judiciário baiano é de pura expectativa para a próxima semana. Durante a sessão criminal desta quarta-feira (1º), dia da mentira, uma verdade foi bem dita pelo ex-presidente do TJBA, desembargador Nilson Castelo Branco: “Depois da Paixão, haverá inspeção". A fala, curta e certeira, serviu para lembrar que o feriado da Semana Santa será apenas o respiro antes de um mergulho denso. A equipe do CNJ inicia na próxima segunda-feira (6) a semana de "pente-fino" no Judiciário baiano. Embora a correição siga o calendário da Corregedoria Nacional, o lembrete de Castelo Branco deixou claro que não haverá espaço para amadorismo. Tem gente que já começou a organizar as gavetas antes mesmo do bacalhau.

Exoneração em Chamas
Pega fogo nos corredores da Justiça da Bahia. Um servidor de cargo de confiança de uma alta autoridade foi exonerado de forma fulminante. A decisão veio de cima, sem aviso, sem explicação pública. Várias versões chegaram à coluna NSP nas últimas horas — e nenhuma é inocente. Tudo indica que é mais um escândalo daqueles sem precedentes. O servidor, que tinha acesso VIP, agora está entrincheirado. Ninguém comenta em voz alta, mas todo mundo quer saber qual a verdadeira razão. Fique de olho que até a próxima semana a NSP vai esclarecer tudo.

Peixe podre
A população de Gandu está na bronca com a prefeita Daiane Santana, mais conhecida como Dai de Leo de Neco. Eles denunciam que a gestão local distribuiu peixe podre e, com isso, estragou, literalmente, o almoço da Sexta-Feira Santa. As reclamações ganharam as redes sociais e a prefeitura reagiu, afirmando que o problema foi causado pela empresa contratada para distribuir o alimento. Ficou feio.

Marceleza
O retorno do Camisa de Vênus, banda icônica do rock brasileiro, à Concha Acústica do Teatro Castro Alves após seis anos levou às arquibancadas gente de diferentes matizes políticos. Tinha de menudo do Thomé de Souza a político da base do governo estadual. Antes da entrada de Marcelo Nova, líder do Camisa, um anunciador fez menção a apoiadores do projeto e então sobrou para Lídice da Mata. Ao ouvirem o nome da socialista, as vaias surgiram na plateia. Em uma das falas durante o show, Marceleza deu a definição dele sobre o dia da eleição: "Dia em que o eleitor escolherá a marca da vaselina com que será enrabado". O público foi ao delírio com as porradas de Marcelo Nova à esquerda e à direita. Reinou o puro rock no show do Camisa.

Classificação Indicativa: Livre

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