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Na Sombra do Poder: Perfume da Avon de Manicure

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Os bastidores da política baiana  |   Bnews - Divulgação Reprodução

Publicado em 30/05/2024, às 05h50   Editoria de Política



Perfume da Avon de Manicure

Uma socialite baiana, acostumada a posar com caras, bocas e muito botox, pregou uma peça na sua rodinha de amigas semana passada. Após um almoço em um espigão famoso na Vitória, a protótipo de dondoca Brotense abriu sua Hermes Birkin marrom e puxou uns frascos de perfume com rótulos “off label”. Até aí tudo bem, ela, recém-chegada da Europa, afirmou às coleguinhas que eram fragrâncias de um perfumista do interior da França e que eram de extrema raridade no Brasil. Uma das desavisadas, um pouco mais ousada, resolveu borrifar o tal “parfum” no pulso. Ao sentir o odor, disparou em voz alta e estridente: “Isso aqui é Avon que minha manicure vende de porta em porta, eu tô fora...”. O silêncio tomou conta da requintada sala, e a espertinha tratou de disfarçar e guardar as ampolinhas prontas para livre comércio. Que vergonha.

O tsunami Duquinho

A notícia da chegada de Luís Eduardo Magalhães Filho ao cenário político baiano foi um verdadeiro tsunami nos bastidores. Foi deputado chorando, cacique jogando prato para cima, puxa-saco correndo pelo CAB, situação abrindo champanhe e por aí vai... O fato é que a simpatia e carisma do rapaz incomodam e assustam muita gente miúda e graúda (pesada), causando arrepios para o pleito de 2026. Duquinho, como é chamado pelos amigos, em contato com o BNews, sempre muito ponderado, afirmou que foi ventilado por políticos fora da Bahia e locais e grupos empresariais no intuito de ser um nome forte para a gestão pública e que poderia somar bastante. Segundo o empresário, ainda é muito novo, porém, confessara que é um desejo movido de maneira a retribuir tudo que o estado da Bahia proporcionou a ele ao longo desses anos todos e à sua família. Ficou de conversar e avaliar com seus familiares e amigos mais próximos toda a conjuntura e desafios que a vida política impõe. O fato é que tem gente sem dormir já, e que esse tsunami com certeza não é uma simples marola do balneário da Penha.

Fogo no parquinho

O entrevero involuntário (ou não?) entre os prefeitos do União Brasil em Camaçari e Mata de São João dá uma mostra de que o partido na Bahia está em pé de guerra. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que já tenta ficar acima da sombra do cada dia mais independente Elmar Nascimento agora ganhou um novo antagonista: o empresário Luís Eduardo Magalhães que, como se especula, é sondado para ser o nome da oposição para enfrentar Jerônimo Rodrigues em 2026. Agora o ex-prefeito tem duas dores de cabeça declaradas - Elmar e Luís Eduardo - e uma terceira que pode se tornar opção em 2026: Bruno Reis. A candidatura de ACM Neto daqui a dois anos não é dada mais como favas contadas no União.

Barraca armada


A pré-campanha de Luiz Caetano a prefeito de Camaçari está feliz da vida com o aliado (involuntário) que ganhou na corrida contra do grupo liderado por Elinaldo Araújo na cidade. Bira da Barraca, prefeito de Mata de São João, deu uma bela alavancada na mobilização do petista que, sozinho, já é conhecido por não fugir de briga. Caetano foi comedido ao comentar o episódio da propina da Dragão, mas a confusão renderá farto material para ser explorado até outubro. A defesa de Elinaldo foi somente baseada na nota de prefeito de Mata dizer que se equivocou, que não queria vincular o gestor camaçariense a pedido de propina; mas o estrago já foi feito.


O poder de Wagner
A ingerência de Jaques Wagner no Governo do Estado e na articulação política no Governo Lula nunca esteve tão grande. Após duas derrotas acachapantes dos petistas em Brasília, todo mundo agora vai recorrer ao cabeça branca para salvar a pátria. E tudo isso pode causar reflexos importantes na eleição de 2026. A saber.


"Vamos ligar para Wagner"

Parece que o governo Lula está preocupado com a relação com a Câmara e o Senado após ter levado um balde de água fria com duas derrotas em sequência na sessão conjunta de terça (28). O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), foi visto aos berros em um círculo com o ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de outros senadores e deputados, para aprovar pedidos do governo que foram adiados na terça, em meio a mais uma sessão conjunta nesta quarta (29). Por sinal, o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, não estava presente, mas deu pitaco nos passos da base. Senadores diziam "vamos ligar para Wagner para ver o que ele acha" a cada decisão.


Ainda Wagner

A falta de interlocução do Governo Lula com o Congresso fica mais evidente a cada dia. As derrotas na apreciação dos vetos, ocorrida na última terça-feira (28), são exemplos. “É por isso que o presidente Lula é muito mal avaliado entre os deputados, conforme demonstrou a pesquisa Quaest divulgada na semana passada”, avaliou um parlamentar governista em nível federal, mas oposição ao PT na Bahia. Outro deputado baiano que apoia Lula e também Jerônimo, reclamou daquilo que chamou de “incapacidade” do líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (Sem Partido/AP) em conseguir o mínimo entendimento com os parlamentares. “Ele sequer consegue articular com a base, quanto mais com a oposição”, disse. Segundo esse mesmo deputado, o problema não está só com Rodrigues, mas se estende aos ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil). Além das queixas contra os atuais articuladores, oposição e governo têm um ponto em comum: o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo no Senado. “Não vejo outro nome melhor que ele”, disse um petista sob anonimato.

Comprinhas da Shopee 1
A base de Lula vai ter que rebolar para defender a taxação de 20% nas compras internacionais de até US$ 50. A taxa inicial era de 60%. O governo, que a princípio queria a taxação (Haddad nunca negou que era a favor e foi ele que pediu a um deputado do PT que sugerisse ao relator Átila Lira que colocasse a emenda da taxação na MP do Mover). Mas depois de Janja se pronunciar nas redes condenando a taxação, Lula também ficou contra.  A oposição, que a princípio era contra a taxação, depois que o governo virou de lado, mudou de lado também.


Comprinhas da Shopee 2

O problema do impasse residia não na taxação, mas na MP do Mover, que estava travada e corria o risco de caducar depois de amanhã.  O acordo saiu depois do aceno de Lula na sexta passada, quando disse que vetaria a emenda ou que poderia "chegar a um meio termo" com os parlamentares. Arthur Lira foi ao Planalto e selou com a oposição o entendimento. Assim, a MP que demorou quase seis meses pra ser votada foi aprovada em menos de 15 segundos.

Correria petista
Além de costumeiramente estender seus eventos, o governador Jerônimo Rodrigues aprontou mais. Em um evento no interior do Estado, o petista simplesmente ignorou a coletiva de imprensa prevista para ocorrer ao fim do ato, ele passou correndo, “driblou” o espaço onde ocorreria a coletiva e foi direto para o seu carro oficial para o próximo item de sua extensa agenda. Os jornalistas correram atrás dele em vão. A postura surpreendeu inclusive profissionais de sua assessoria, que quase vive um “Esqueceram De Mim” versão tupiniquim. A justificativa para o “corre corre” foi para que Jerônimo pudesse recepcionar a comitiva que visitou Salvador na última semana.

Oposição esquerdista
Após a aprovação do reajuste salarial dos servidores, o deputado estadual Hilton Coelho foi ovacionado pelos protestantes que estavam na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), com palmas, gritos e pedidos para ele se candidatar a governador. Ele foi um dos parlamentares que foram contra a proposta do governo. Será que vem aí? Aguardando as cenas dos próximos capítulos.


O sumido

Um certo deputado do União Brasil não está mais aparecendo na ALBA há um bom tempo. Sua ausência vem sendo notada em sessões importantes na Casa Legislativa. Ele que, inclusive, é conhecido por ficar do 'lado' do governador. Será proposital?

Bob Esponja e o fim da fenda do biquíni
O "playboy" dos quatro filhos de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, voltou a se movimentar para aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que transfere a propriedade dos terrenos do litoral brasileiro, sob o domínio da Marinha, para estados, municípios e proprietários privados. Essa foi aventada ainda durante o governo de Jair Bolsonaro. A ideia de criar "Cancuns brasileiras" já tinha passado pelo ministro da Economia na gestão Bolsonaro, para autorizar a venda das praias. Tempos depois, a ideia volta à tona, abrindo margem para a boiada da construção imobiliária. Se a PEC for aprovada, até a fenda do biquíni corre risco de ser privatizada.

Classificação Indicativa: Livre

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