Colunas / Na Sombra do Poder
Suíte 14 Othon
Nos anos 80 e 90, quando a Hippopotamus, no luxuoso Bahia Othon Palace, reunia a fina flor da sociedade, havia um detalhe guardado a sete chaves que muitos poucos sabiam: a misteriosa Suíte 14. Nas madrugadas um seleto grupo de políticos, empresários e outras figuras poderosas transformavam o endereço em extensão privativa da boate. Entre casais, duplas e trios, as combinações eram tão criativas quanto os acordos costurados nos gabinetes. Alguns desapareciam da pista por horas e regressavam impecáveis, como se nada tivesse acontecido, para encerrar a madrugada com a tradicional lasanha. Naquele tempo, não havia Stories, câmeras indiscretas ou prints comprometedores. A discrição era patrimônio, e o silêncio, artigo de luxo. Na Suíte 14 entrava-se pela porta da fantasia e saía-se pela escada da respeitabilidade. O curioso é que, depois de tantas aventuras, todos voltavam famintos, com a conhecida larica.
'Pretendo dar o meu voto ao Lula'
Quem vê a oposição ferrenha de ACM Neto a Lula talvez nem imagine, mas o avô dele, o senador Antônio Carlos Magalhães, declarou voto no petista no segundo turno da eleição presidencial de 2002. Na época, ACM surpreendeu ao anunciar que pretendia apoiar Lula contra José Serra (PSDB). O cacique baiano, que passou boa parte da vida política combatendo a esquerda, deixou claro, porém, que o voto não significava um cheque em branco ao futuro presidente. A história mostra que, na política, até os adversários mais improváveis podem acabar dividindo a mesma urna. E pensar que, duas décadas depois, o sobrenome Magalhães está do outro lado do balcão.

Promoter das Despedidas
Na década passada, quando despedida de solteiro era assunto tratado em voz baixa e sem registro fotográfico, um misterioso promoter transformava a última noite de liberdade conjugal em verdadeira produção hollywoodiana. O roteiro começava no Manhattan da Pituba, onde noivos e amigos participavam de uma seleção de acompanhantes digna de concurso internacional. A segunda etapa aconteceria na lendária suíte de 450 m² do Motel Del Rey, palco de festas que, segundo as línguas antigas, desafiavam a paciência dos hóspedes vizinhos. Entre gargalhadas, gritaria e movimentação cinematográfica, até porta-malas teriam entrado no roteiro das operações de chegada e saída. O promoter, mestre da discrição alheia e da própria publicidade, teria posteriormente alçado voos internacionais, exportando seu peculiar know-how para outras fronteiras. Naqueles tempos, o noivo prometia fidelidade no altar, mas a despedida exigia uma logística que faria inveja a qualquer aeroporto. Dizem que o promoter ganhou o mundo. O difícil é saber quantos casamentos sobreviveriam se as malas daquele passado fossem abertas.
A Corretora e as Chaves do Pecado
Na Salvador dos espigões milionários dos anos 90, uma poderosa corretora teria descoberto que o verdadeiro segredo do mercado imobiliário não estava no preço do metro quadrado, mas na contabilidade dos empreendimentos. Conhecedora dos bastidores de empresários, políticos e figurões da construção civil, circulava pela alta sociedade com a desenvoltura de quem possuía muito mais que chaves: guardava confidências que nem os balanços revelavam. Devota fervorosa, transitava entre orações, negócios e amizades convenientemente cultivadas. Mas, segundo o folclore soteropolitano, o prestígio começou a desmoronar quando as chaves alheias passaram a abrir portas que exigiam mais discrição do que autorização. Entre favores, segredos e pecados, a antiga influência teria perdido o brilho. Na Bahia, há quem construa impérios sobre areia, quem confunda devoção com absolvição e quem descubra tarde demais que possuir todas as chaves não significa ser dono de nenhuma porta.

Rendez-vous do Canela
Nos anos 90, enquanto o axé sacudia as ruas, a alta sociedade cultivava um Carnaval particular, longe dos trios elétricos e dos olhares indiscretos. Nas imediações do Canela, uma misteriosa loira, com passagem e mandatos político-partidários, com extraordinária habilidade para reunir poderosos, comandava encontros onde o convite valia mais que credencial diplomática. Políticos, empresários e magistrados figuravam nas histórias dessas noites, regadas a uísque, desinibição e favores que jamais constariam das atas oficiais. A anfitriã, segundo as línguas antigas, conhecia o mapa das vaidades e sabia que certas amizades florescem melhor depois da meia-noite. Entre taças, confidências e promessas, a discrição não era mais preocupação. Em tom confidencial a Loira respira aliviada até hoje que p celular era apenas meio de marcar encontro e que não existia WhatsApp.
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Super desconto
Imperdível
Computador lento?
Top dos Tops