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Sombra Retrô: Suíte 14 Othon

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Os bastidores do passado da sociedade baiana  |   Bnews - Divulgação Arquivo
Editoria de Política

por Editoria de Política

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Publicado em 23/10/2026, às 06h00



Suíte 14 Othon
Nos anos 80 e 90, quando a Hippopotamus, no luxuoso Bahia Othon Palace, reunia a fina flor da sociedade, havia um detalhe guardado a sete chaves  que muitos poucos sabiam: a misteriosa Suíte 14. Nas madrugadas um seleto grupo de políticos, empresários e outras figuras poderosas transformavam o endereço em extensão privativa da boate. Entre casais, duplas e trios, as combinações eram tão criativas quanto os acordos costurados nos gabinetes. Alguns desapareciam da pista por horas e regressavam impecáveis, como se nada tivesse acontecido, para encerrar a madrugada com a tradicional lasanha. Naquele tempo, não havia Stories, câmeras indiscretas ou prints comprometedores. A discrição era patrimônio, e o silêncio, artigo de luxo. Na Suíte 14 entrava-se pela porta da fantasia e saía-se pela escada da respeitabilidade. O curioso é que, depois de tantas aventuras, todos voltavam famintos, com a conhecida larica.

'Pretendo dar o meu voto ao Lula' 
Quem vê a oposição ferrenha de ACM Neto a Lula talvez nem imagine, mas o avô dele, o senador Antônio Carlos Magalhães, declarou voto no petista no segundo turno da eleição presidencial de 2002. Na época, ACM surpreendeu ao anunciar que pretendia apoiar Lula contra José Serra (PSDB). O cacique baiano, que passou boa parte da vida política combatendo a esquerda, deixou claro, porém, que o voto não significava um cheque em branco ao futuro presidente. A história mostra que, na política, até os adversários mais improváveis podem acabar dividindo a mesma urna. E pensar que, duas décadas depois, o sobrenome Magalhães está do outro lado do balcão.

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Promoter das Despedidas
Na década passada, quando despedida de solteiro era assunto tratado em voz baixa e sem registro fotográfico, um misterioso promoter transformava a última noite de liberdade conjugal em verdadeira produção hollywoodiana. O roteiro começava no Manhattan da Pituba, onde noivos e amigos participavam de uma seleção de acompanhantes digna de concurso internacional. A segunda etapa aconteceria na lendária suíte de 450 m² do Motel Del Rey, palco de festas que, segundo as línguas antigas, desafiavam a paciência dos hóspedes vizinhos. Entre gargalhadas, gritaria e movimentação cinematográfica, até porta-malas teriam entrado no roteiro das operações de chegada e saída. O promoter, mestre da discrição alheia e da própria publicidade, teria posteriormente alçado voos internacionais, exportando seu peculiar know-how para outras fronteiras. Naqueles tempos, o noivo prometia fidelidade no altar, mas a despedida exigia uma logística que faria inveja a qualquer aeroporto. Dizem que o promoter ganhou o mundo. O difícil é saber quantos casamentos sobreviveriam se as malas daquele passado fossem abertas.

A Corretora e as Chaves do Pecado
Na Salvador dos espigões milionários dos anos 90, uma poderosa corretora teria descoberto que o verdadeiro segredo do mercado imobiliário não estava no preço do metro quadrado, mas na contabilidade dos empreendimentos. Conhecedora dos bastidores de empresários, políticos e figurões da construção civil, circulava pela alta sociedade com a desenvoltura de quem possuía muito mais que chaves: guardava confidências que nem os balanços revelavam. Devota fervorosa, transitava entre orações, negócios e amizades convenientemente cultivadas. Mas, segundo o folclore soteropolitano, o prestígio começou a desmoronar quando as chaves alheias passaram a abrir portas que exigiam mais discrição do que autorização. Entre favores, segredos e pecados, a antiga influência teria perdido o brilho. Na Bahia, há quem construa impérios sobre areia, quem confunda devoção com absolvição e quem descubra tarde demais que possuir todas as chaves não significa ser dono de nenhuma porta.

Imagem gerada por IA
Rei do Gado
Na Bahia existe um Rei do Gado que jura que existe uma atividade mais rentável que a pecuária: a multiplicação de eleitores. Nos bastidores do interior, circulam denúncias de um engenhoso roteiro envolvendo financiamentos rurais subsidiados, gado fantasma, notas fiscais suspeitas e empréstimos em nome de laranjas. Rebanhos que, segundo o falatório, teriam o curioso hábito de aparecer apenas quando a fiscalização anuncia visita. Um verdadeiro milagre da reprodução bovina! O enredo ganha tempero eleitoral com suspeitas de que recursos destinados aos pastos poderiam estar irrigando campanhas, alimentando cabos eleitorais e engordando currais de votos. Com a chegada do decisivo fim de semana eleitoral, o clima promete esquentar nos municípios mais endinheirados do interior baiano. Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal integram o aparato de segurança das eleições, e qualquer movimentação suspeita envolvendo transporte irregular de valores e compra de votos poderá despertar a atenção das autoridades. O Rei do Gado pode até conhecer todos os atalhos da fazenda. Mas, desta vez, convém lembrar que dinheiro público não nasce em árvore, voto não é mercadoria e curral eleitoral não tem imunidade policial.

Rendez-vous do Canela
Nos anos 90, enquanto o axé sacudia as ruas, a alta sociedade cultivava um Carnaval particular, longe dos trios elétricos e dos olhares indiscretos. Nas imediações do Canela, uma misteriosa loira, com passagem e mandatos político-partidários, com extraordinária habilidade para reunir poderosos, comandava encontros onde o convite valia mais que credencial diplomática. Políticos, empresários e magistrados figuravam nas histórias dessas noites, regadas a uísque, desinibição e favores que jamais constariam das atas oficiais. A anfitriã, segundo as línguas antigas, conhecia o mapa das vaidades e sabia que certas amizades florescem melhor depois da meia-noite. Entre taças, confidências e promessas, a discrição não era mais preocupação. Em tom confidencial a Loira respira aliviada até hoje que p celular era apenas meio de marcar encontro e que não existia WhatsApp.

Classificação Indicativa: Livre

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