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Defensor público acusa Braskem de blindar dados de acidente em Maceió: “Raposa tomando conta do galinheiro”

Joédson Alves/Agência Brasil
Ricardo Melro afirma que acesso a dados do afundamento é restrito e chama situação de “esculhambação”  |   Bnews - Divulgação Joédson Alves/Agência Brasil
Adelia Felix

por Adelia Felix

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 08/04/2026, às 10h21 - Atualizado às 10h30



O defensor público do estado de Alagoas, Ricardo Melro, fez duras críticas à condução e ao acesso aos dados sobre o afundamento do solo em Maceió, maior desastre ambiental urbano em curso no país causado pela Braskem.

Em publicação nas redes sociais, ele questionou o fato de a petroquímica concentrar o controle das informações consideradas essenciais para estudos sobre o desastre. O agente público classificou a situação como “absurda” e denunciou o que chamou de “blindagem” no controle dos dados pela Braskem.

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“É uma esculhambação”, dispara defensor.

Segundo Melro, órgãos como o Serviço Geológico do Brasil e as Defesas Civis rejeitaram um relatório independente sob a justificativa de ausência de dados suficientes. No entanto, quando os próprios pesquisadores solicitaram acesso à base considerada mais completa sobre o desastre, o pedido não foi atendido.

“Criticam a pesquisa por suposta limitação de dados. Os pesquisadores pedem acesso ao banco mais completo existente. E negam o acesso. É uma esculhambação”, escreveu.

O defensor destacou que os pesquisadores, ligados a instituições do Brasil e da Alemanha, se colocaram à disposição para revisar e complementar o estudo, mas esbarraram na negativa de acesso.

“Como se fosse segredo de Estado”, disse Melro.

Melro também ironizou a resposta dada aos especialistas, de que o acesso aos dados ainda precisaria de “amadurecimento”. “Como se estivessem pedindo acesso a um segredo de Estado”, afirmou.

Para ele, a decisão sobre quais informações são necessárias em um estudo técnico deve partir dos próprios pesquisadores, e não ser limitada por entraves externos.

Um dos pontos mais críticos levantados pelo defensor é o fato de a base de dados estar sob controle da própria empresa envolvida no caso. Ele classificou a situação de forma direta:

“É a raposa tomando conta do galinheiro”.

Melro afirmou ainda que nem mesmo os órgãos públicos teriam controle sobre o acesso às informações, o que, na avaliação dele, agrava o cenário.

Caso pode parar novamente na Justiça
Diante do impasse, o defensor público informou que pretende recorrer mais uma vez ao Judiciário. Ele defende que os dados deveriam estar sob gestão do poder público, com acesso amplo.

“O que se vê é resistência, controle e um cenário que tentam tratar como normal. Não é. Há algo profundamente errado nisso tudo”, disse.

Ao final da publicação, Melro reforçou o tom de indignação e cobrou providências: “Revoltante. Essa blindagem tem que acabar.”

O que aconteceu em Maceió
O problema começou em 2018. A extração de sal-gema causou afundamento do solo em cinco bairros: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. Mais de 60 mil pessoas tiveram que deixar suas casas.

Em 2023, a prefeitura decretou estado de emergência por risco de colapso em uma das minas. A Defesa Civil passou a monitorar o solo diariamente. A Polícia Federal (PF) investigou o caso e indiciou 20 pessoas. O processo está na 2ª Vara Federal de Alagoas.

Em julho de 2025, a Defensoria Pública pediu R$ 4 bilhões em indenizações por perdas no valor dos imóveis.

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