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Filha de duas mães, garota é obrigada a participar de evento do dia dos pais em escola

Marcelo Casal/Agência Brasil
Garota ainda foi obrigada a tirar foto junto com os colegas e seus pais  |   Bnews - Divulgação Marcelo Casal/Agência Brasil
Mariana De Siervi

por Mariana De Siervi

mariana.lopes@bnews.com.br

Publicado em 14/08/2024, às 13h57



Uma garota de nove anos, filha de duas mães, foi obrigada a participar de uma homenagem do dia dos pais em sua escola. O caso aconteceu em Recife-PE e a aluna ainda foi obrigada a tirar foto junto com seus colegas e seus pais, mesmo sem nenhum parente seu presente no momento. 

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Uma das mães da menina, a  jornalista Maira Moraes, contou ao Portal G1 que ficou sabendo do ocorrido, após a mãe de um colega de sua filha ligar demonstrando preocupação ao presenciar a criança chorando durante o evento. 

"O amiguinho estava lá na apresentação do Dia dos Pais e disse que a ‘tia’ obrigou ela a participar. E ela não quis, né? Ela ficou triste e chorosa com isso e o colega tentou consolar. Outra mãe, de um outro colega, foi quem ajudou. Tirou ela de lá e ficou com ela no colo durante a apresentação”, contou Maiara, que revelou que chegou a perguntar para menina como havia sido sua manhã na escola, mas ela não entrou em detalhes. 

A jornalista ainda relatou que desde da matrícula, o Colégio Elo já sabia que a menina era filha de duas mulheres e não tinha pai e a recomendação deixada pelas mães era de deixar a criança fazendo outras atividades, enquanto estivesse ocorrendo aquele tipo de evento. A ideia foi aceita e seguida durante os anos anteriores, mas ignorada este ano, mesmo a garota pedindo para ficar na sala de aula. 

A outra mãe, a fonoaudióloga Nathalia Lins, procurou a coordenação da escola para entender o que tinha acontecido, já que tinha uma recomendação para ser seguida. Segundo a profissional de saúde, a equipe da instituição que atendeu no período da tarde, não sabia que tinha acontecido pela manhã daquele dia. 

“Quando cheguei, pedi para falar com os responsáveis para entender o que tinha acontecido. Estavam duas coordenadoras e, para minha surpresa, elas não sabiam de nada, o que eu achei mais preocupante ainda. Justifiquei que o Dia dos Pais é muito sensível e elas falaram: ‘somos uma escola tradicional'", explicou, reforçando que: “as crianças esquecem as fórmulas matemáticas, mas as experiências que elas passam dentro da escola, elas vão lembrar para o resto da vida. Minha filha não vai esquecer esse dia. A saúde emocional das crianças precisa ser levada em consideração”. 

A gestora pedagógica do colégio, Eduarda Tavares, informou ao G1 que a escola estava ciente do ocorrido e que o assunto estava sendo tratado pelo  jurídico da instituição.

As mães da menina abriram um boletim de ocorrência na última sexta-feira (09) e a Polícia Civil informou que "as investigações foram iniciadas e seguem em andamento até a completa elucidação dos fatos".

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