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Menina de 11 anos morre após relatar bullying em colégio militar; família diz que pedido de transferência foi negado

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Morte de uma estudante de 11 anos no Ceará provoca investigações sobre bullying no Colégio Militar do Corpo de Bombeiros  |   Bnews - Divulgação Google Street
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 03/08/2026, às 16h52



A morte de uma estudante de 11 anos mobiliza as autoridades no Ceará e levanta questionamentos sobre possíveis episódios de bullying dentro do Colégio Militar do Corpo de Bombeiros Escritora Rachel de Queiroz (CMCB), no bairro de Jacarecanga, em Fortaleza.

A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da morte da criança, registrada na última quinta-feira (23), em um imóvel particular localizado no município de Maracanaú. O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE).

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As investigações estão sob responsabilidade da 5ª Delegacia de Polícia Civil de Maracanaú. Em nota, a corporação informou que segue realizando diligências para esclarecer o ocorrido: "A 5ª Delegacia de Polícia Civil de Maracanaú está a cargo dos trabalhos investigativos e realiza diligências com o intuito de elucidar o caso", informou.

A família da estudante morta afirma que a menina era vítima de bullying no colégio. Em entrevista ao Diário do Nordeste, os pais disseram que registraram um boletim de ocorrência após a morte da filha e relataram uma série de agressões que, segundo os familiares, eram praticadas por outros estudantes da unidade.

Segundo os genitores da menina, a adolescente cursava o 6º ano do ensino fundamental e, após os episódios de violência, tentaram transferi-la para outra escola. A solicitação, entretanto, não foi aceita pela instituição de ensino.

O colégio informou que o pedido foi submetido à análise da assessoria jurídica do Corpo de Bombeiros, que concluiu que a transferência entre colégios militares estaduais não poderia ser autorizada naquele momento.

Conforme a instituição, o regimento interno determina que esse tipo de mudança somente pode ocorrer após o estudante concluir pelo menos um ano letivo na escola de origem e desde que exista vaga disponível na série e no turno pretendidos.

Ainda segundo a unidade de ensino, os responsáveis foram orientados sobre a possibilidade de matricular a estudante em uma escola civil, pública ou particular. O colégio também informou que garantiria o encaminhamento para matrícula em uma instituição pública próxima à residência da família, conforme prevê a legislação.

Os pais afirmam que a filha começou a apresentar sinais de violência física depois que ingressou no colégio neste ano. A mãe contou que encontrou hematomas nos pés, pernas e joelhos da menina, além de um corte no braço que, segundo ela, teria sido escondido com corretivo escolar.

De acordo com o relato da família, a criança inicialmente evitava revelar o que acontecia e justificava os ferimentos como resultado de quedas ou brincadeiras. A situação só veio à tona após uma conversa com a irmã, quando a estudante teria contado que sofria perseguições e agressões constantes de colegas.

Após tomar conhecimento dos relatos, a mãe procurou a direção da escola para comunicar os episódios de bullying e reforçou o pedido de transferência. Segundo a genitora, já havia conseguido uma vaga em outra instituição de ensino, mas a mudança não foi autorizada. Ainda conforme a família, a direção informou que buscaria uma solução para o caso, o que, segundo os pais, não ocorreu.

Os familiares também afirmaram que a menina passou as férias animada com a possibilidade de estudar em outro colégio. No entanto, quando soube que permaneceria na mesma unidade, teria apresentado mudanças de comportamento.

Posicionamento da escola

Em nota, o Colégio Militar do Corpo de Bombeiros afirmou que todas as denúncias de bullying comunicadas oficialmente receberam o tratamento previsto pelos protocolos internos: "Conforme os registros institucionais, todas as demandas formalmente apresentadas à escola receberam o devido encaminhamento pelas equipes competentes", declarou a unidade.

A instituição destacou ainda que dispõe de uma equipe de psicólogos para atendimento e acompanhamento dos estudantes, além de promover ações permanentes de prevenção ao bullying, incentivo à convivência respeitosa, fortalecimento da saúde emocional e conscientização sobre o uso das redes sociais.

Sobre o início do segundo semestre letivo, ocorrido na segunda-feira (27), o colégio informou que preparou uma programação de acolhimento voltada para alunos, familiares e profissionais da educação, com atividades relacionadas à saúde mental, prevenção ao bullying e desenvolvimento socioemocional.

Como parte desse conjunto de ações, equipes da instituição também realizaram visitas de acolhimento a familiares de estudantes, oferecendo apoio e acompanhamento", informou a escola.

Acompanhamento do Ministério Público

O Ministério Público do Ceará informou que o caso será acompanhado pelo Centro de Apoio Operacional da Educação (Caoeduc), que encaminhou a situação para uma Promotoria de Justiça da Educação em Fortaleza.

Além disso, representantes do Caoeduc e do Centro de Apoio Operacional da Saúde (Caosaúde) devem realizar ações de acolhimento, escuta, suporte e acompanhamento dos desdobramentos da investigação.

O MP atua de forma permanente na promoção da saúde mental de crianças e adolescentes e na prevenção das diversas formas de violência no contexto escolar, por meio de ações de conscientização, acolhimento e formação voltadas a estudantes, famílias, educadores e gestores públicos", afirmou o órgão.

Classificação Indicativa: Livre

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