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Gerônimo ironiza Bahiagás, critica camarotes e afirma: "Vai piorar"

Imagem Gerônimo ironiza Bahiagás, critica camarotes e afirma: "Vai piorar"

Ícone do Carnaval fala das mudanças do festa e lamenta o quadro da festa ser 'irreversível'

Publicado em 01/02/2013, às 06h23        Caroline Gois (twitter: @goiscarol)

"Carnaval vai piorar tanto que o povo vai se degladiar". Assim avalia o futuro da maior festa popular do planeta um dos ícones do Carnaval da Bahia, o cantor Gerônimo.

Segundo o artista, "apesar da Bahia ser antropofágica, recebemos muitos artistas de fora, mas, a riqueza está nos artistas daqui. Não há a necessidade de trazermos tantos de fora. O povo vai a rua, brinca. Apenas a música é capaz de unir, mover um exército e também gerar a violência. Mas, o jogo mercantilista de empresários faz com que a festa deixe de ser como sempre foi", critica o artista que tem mais de 30 anos de carreira.

Dono da famosa canção 'É D'OXUM' feita em parceria com Vevé Calazans, Gerônimo avaliou - durante entrevista que concedeu ao apresentador Zé Eduardo, no Programa do Bocão da Rádio Sociedade, na manhã desta quinta-feira (31), que o Carnaval não tem dono. Para ele, seria importante os artistas participarem do Conselho do Carnaval para que fosse feita a ordem. "Se existisse mesmo a democracia iriam nos ouvir e o desfile seria mais organizado. O ideal seriam sorteios que pudessem determinar quem sairia na frente, atrás, no meio. Nada de privilégios. De fato, tem gente que aluga e vende espaço. Isso acontece", denuncia.



Gerônimo atentou também para a importãncia da mídia e a necessidade do artista se mostrar para ela. "Todo mundo quer aparecer na TV para vender seu produto, principalmente quem tem patrocínio. Tem que ter televisão, senão não vinga", ressaltou, trazendo à tona os horários de cobertura das emissoras e o 'prejuízo' para quem acaba saindo no fim da fila.

Sem muita esperança nas mudanças que circundam a festa, o cantor arriscou uma ideia e sugere que camarotes e festas fechadas possam ser feitos no Centro Administrativo, dando mais espaços aos circuitos. "Que tal se fechasse o CAB e fosse tudo lá? Colaca-se tapumes e tira os camarotes das avenidas. Assim, o lugar de tradição se mantém. Até porque, camarote é uma extensão dos blocos para quem tem dinheiro. Acho até que poderiam fazer dentro deste locais uma bolsa de valores", ironiza, sem perder o gancho para criticar o apoio dado pela empresa BahiaGás a alguns artistas, principalmente para os 'novos artistas'.

"Gostaria muito que a BahiaGás me desse também um dindim. Acho que não recebo tanto apoio porque falo o que penso. Mas, o Carnaval é injusto com os artistas da casa. Costumo dizer que a Bahia é madrasta. O carnaval vai piorar tanto que os artistas vão tocar dentro do camarote e o povo vai ficar na rua se degladiando", disse.

Com muito gás ainda para puxar foliões, Gerônimo fará parte da folia este ano com desfile no sábado (9) - em trio patrocinado pela secretaria de Cultura e também no famoso 'Suarrê' - festa que o artista realiza a alguns anos nas escadarias do Passo, igreja famosa do 'Pagador de Promessas', no Centro Histórico, com início às 16h, na terça-feira (12).

Compositor da geração da chamada "axé-music" e do clássico 'Eu sou negão', Gerônimo polemiza, encanta e, além de fazer o povo ir atrás do trio, se diz um voyer à moda antiga: "Sou daqueles do Eu Te Amo meu amor, mas  boto pra fu....", brincou.


Foto: Bocão News

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