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PFL e PT

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Cientista político vê semelhanças entre as duas forças na Bahia

Publicado em 05/10/2010, às 16h16        Luiz Fernando Lima

Os resultados das eleições de 3 de outubro, no âmbito estadual, fizeram do PT o gerente de um novo projeto hegemônico. A afirmação é do cientista político Paulo Fábio Dantas. De acordo com ele, o quadro atual, caso sejam mantidas as alianças firmadas na campanha, torna a força do PT equiparada a exercida pelo PFL na década de 1990.

“Mas a formação é diferente. Enquanto o PFL apresentava uma estrutura compacta, homogênea e verticalizada, o PT pode chegar ao mesmo domínio político utilizando uma estratégia antagônica, pois as bases de sustentação deles são heterogenias, ecléticas, lideradas por um político que tem como característica a conciliação”, analisa.

Segundo Paulo Fábio, não se trata de melhor ou pior, o que se coloca é que há uma queda na competitividade eleitoral em comparação ao que pôde ser visto de 2000 até agora, e o crescimento de uma nova força política com o mesmo poder que o PFL teve quando liderado pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

O governo fez, em uma análise inicial, a maioria absoluta na Assembleia Legislativa, foram 37 deputados estaduais, podendo chegar a cerca de 2/3 (42) das cadeiras a depender das negociações futuras. Desta forma, seria aceitável considerar a força governista como imbatível dentro do legislativo baiano. Contudo, Paulo Fábio ressalta que todo prognóstico feito agora corre o risco ser equivocado.

“Primeiro é preciso entender que os números frios não expressam o que, de fato, vai acontecer quando iniciarem os trabalhos na AL. Vale ressaltar que neste processo eleitoral duas forças políticas médias vão disputar a primazia da aliança com o PT. São elas PP e PDT”, explica o cientista político. Na mediação desses conflitos é que Wagner e seus correligionários vão ter que mostrar se realmente são conciliadores eficientes.

O papel do PMDB também é outra incógnita no cenário baiano. À Priori a legenda fará oposição ao governo petista, mas pode recompor. Para Paulo Fábio, é mais provável que o partido do ex-ministro Geddel Vieira Lima caminhe para a oposição no estado. Prova disto foi dada quando o candidato ao Governo do Estado da legenda, recém derrotado nas urnas, falou que vai se preparar para a disputa eleitoral majoritária de 2014.

Os Democratas foram os mais fragilizados na avaliação do cientista político. A legenda perdeu sete cadeiras na AL, o PSDB conseguiu eleger dois, um a menos que no último pleito, no entanto, neste mandato, diferente do anterior, os legisladores tucanos declararam que vão continuar na legenda. Em 2006, Marcelo Nilo e Arthur Maia foram eleitos pelo PSDB, mas debandaram. O primeiro para o PDT e o segundo para o PMDB, o único que continuou no partido foi Sérgio Passos, que não foi reeleito para a próxima legislatura.

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