Polícia

Repórter de TV é chamada de "macaca" por funcionário público no Rio

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A ação foi registrada por testemunhas   |   Bnews - Divulgação Reprodução // CNT

Publicado em 25/09/2020, às 21h31   Redação BNews


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Dois jornalistas da Rede CNT sofreram agressões físicas e e injúria racial por parte de um funcionário público da área da saúde do município de Japeri, na Região Metropolitana do Rio. A repórter Julie Alves e o cinegrafista Vangelis Floyd gravavam um material para o programa "Fala Baixada", voltado especificamente para notícias da Baixada Fluminense, quando foram abordados.

De acordo com o Uol, a jornalista e o cinegrafista foram gravar matéria sobre um lixão, que fica ao lado do Posto de Saúde do Mucujá, quando o agressor, um dos diretores da unidade, começou a abordagem já de forma truculenta. A ação foi registrada por testemunhas.


"Nós já estávamos terminando de produzir o material, o cinegrafista já tinha até desligado a câmera, quando chegou esse homem. Ele começou a gritar com palavrões 'por*, caral*, quem mandou vocês gravarem aqui?'". Julie conta que o questionou, disse que não precisava de autorização e conhecia seus direitos. 

"Foi aí que ele falou 'sabe do seu direito o que, macaca?'. Logo em seguida, o cinegrafista questionou o modo como ele me tratou e o homem o mandou calar a boca e o chamou de gordo."A equipe continuou registrando o que estava acontecendo. "Quando ele percebeu, veio na minha direção para bater no meu rosto. O cinegrafista foi me proteger. O homem acabou batendo na minha mão e meu microfone caiu. Ele foi então em direção ao cinegrafista e deu um chute nele. Algumas pessoas que estavam no local foram segurá-lo", conta a repórter. 

Depois do ocorrido, os dois tiveram a pressão aferida no posto de saúde e depois foram medicados em uma policlínica da região. Em seguida, compareceram à delegacia para registrar um boletim de ocorrência. "Nunca passei por isso, nunca imaginei passar por isso, só queria fazer meu trabalho e eu ainda estou chateada e triste. Uma situação muito desagradável. Ele é preto, eu sou preta, e partir de um preto uma atitude dessas, e tão truculenta, me deixou muito mais indignada", desabafa a repórter. 

A secretária municipal de Saúde de Japeri, Rosilene Moraes, afirmou que o funcionário foi exonerado no mesmo dia: "Eu não assisti à cena. Estava em reunião com subsecretários realizando o documento de flexibilização da cidade. Hoje, solicitei as imagens de nossas câmeras de segurança. Ontem fomos pegos de surpresa e na hora todos nós descemos para ver do que se tratava e um dos subsecretários correu para afastar o bate boca.

"Rosilene contou que imediatamente levou os dois para a sala dela e os acolheu. "Também demos os primeiros socorros. Imediatamente fiz o ofício de exoneração e enviei para publicação. Não compactuamos com violência, este episódio, nunca aconteceu aqui. Nunca tomei ciência de algo desse jeito." Ainda que considere o fato isolado, a secretária pediu desculpas. "Ele agiu por conta própria e deve responder por seus atos se assim for determinado. Da minha parte, da equipe e do prefeito só resta pedir desculpas e exonerar o servidor, fato que já fizemos ontem mesmo".

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