Polícia

Advogada suspeita de aplicar golpes de mais de R$ 600 mil em clientes é presa em resort de luxo na Bahia

Reprodução/ TV Anhanguera
Advogada focava em clientes de baixa de renda e não repassava valores dos alvarás  |   Bnews - Divulgação Reprodução/ TV Anhanguera
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 24/07/2026, às 15h59 - Atualizado às 17h07



A advogada Rina Campbell Pena, que foi presa na última quarta-feira (22) em um resort de luxo no norte da Bahia, é suspeita de aplicar golpes em clientes e gerar um prejuízo de cerca de R$ 600 mil em Goiânia, segundo a Polícia Civil de Goiás. 

De acordo com as investigações, a profissional retirava valores de alvarás e não fazia os repassava para os clientes. Ela acabou sendo colocada em liberdade após a Justiça conceder habeas corpus. A advogada teve a liberdade reestabelecida, mas deverá cumprir três medidas cautelares:

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  • Comparecimento mensal ao juízo, para informar e justificar suas atividades;
  • Proibição de ausentar-se da Comarca de Goiânia, por mais de 15 dias, sem autorização judicial;
  • Suspensão do exercício da advocacia, até o exame do mérito do presente habeas corpus, a fim de resguardar a ordem pública.

Em nota enviada ao Bnews, a Polícia Civil informou que a 21ª Delegacia de Polícia e a Primeira DRP deflagraram a Operação Causa Própria, a fim de dar cumprimento a mandados de busca e apreensão e prisão preventiva expedidos em desfavor de uma advogada que atua principalmente na Comarca de Goiânia, em causas cíveis e de família.

Ainda de acordo com a Civil, a advogada foi presa com apoio de policiais civis da Bahia, já que desde ontem ela passava férias um um resort de Luxo localizado no norte daquele estado.

Segundo a polícia, a advogada agia de varias formas, retirando valores de alvarás e não repassando a seus clientes, convencendo clientes que tinham financiamento imobiliário a ingressarem com ações revisionais de contrato e/ou distrato, passando a depositar os valores em juízo e depois levantando esses valores, ou propondo acordos fictícios e permanecendo com o dinheiro que era de suas vítimas.

Até agora foram localizadas 17 vítimas e o prejuízo chega a 650 mil reais, valores que foram sequestrados das contas bancadas da presa quando do cumprimento dos mandatos.

“Ela conseguia, por meio de captadores de ações ou do boca a boca, convencer os clientes a entrarem com ações revisionais de contrato ou fazer acordos com imobiliárias. Uma vez feito isso, ela encontrava alguma forma de se apropriar do direito dessas vítimas”, disse o delegado Douglas Pedrosa em entrevista à TV Anhanguera.

Em nota, a OAB-GO afirmou que apura infrações ético-disciplinares quando toma conhecimento dos fatos, mas não comenta eventuais prisões ou condenações de advogados inscritos.

A defesa da advogada alegou que a prisão de Rina era "injusta e incompatível com os elementos efetivamente constantes dos autos". Além disso, a defesa informou que os esclarecimentos sobre o caso serão apresentados de forma técnica, responsável e devidamente fundamentada, em momento oportuno.

Confira a nota da defesa

A defesa de Rina de Oliveira Campbell Pena informa que foi restabelecida sua liberdade, em total conformidade com a justiça e a realidade dos fatos. Desde o início, a defesa sustentou que a sua privação de liberdade era injusta e incompatível com os elementos efetivamente constantes dos autos, posição que agora encontra respaldo na decisão que determinou sua soltura.

Em respeito ao regular andamento do processo e ao compromisso com a verdade dos fatos, todos os esclarecimentos serão apresentados no momento oportuno, de forma técnica, responsável e devidamente fundamentada.

Na ocasião adequada, serão demonstradas as inconsistências das alegações que vêm sendo divulgadas até o momento, bem como restabelecida a correta compreensão dos fatos, preservando-se o direito de defesa, a presunção de inocência e o devido processo legal.

A defesa reafirma sua confiança na Justiça e informa que, por ora, não fará outras manifestações sobre o mérito da causa.

Nota da OAB-GO

A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO), por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), acompanhou a Operação Causa Própria, nos dias 22 e 23 de julho, que envolve uma advogada. A Seccional esclarece que apura todas as infrações que chegam ao seu conhecimento, tomando as medidas cabíveis para defender a dignidade da advocacia, sempre respeitando o amplo direito de defesa e o contraditório.

A OAB-GO reforça que esse acompanhamento visa resguardar as prerrogativas profissionais e fiscalizar o cumprimento dos preceitos éticos da advocacia. Por fim, informa que não comenta eventuais prisões ou condenações de seus inscritos.

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