Polícia
Publicado em 28/09/2023, às 13h45 Redação BNews
No último domingo (24), durante um confronto entre torcedores do São Paulo Futebol Clube (SPFC) e a Polícia Militar (PM) na Zona Sul da capital, Rafael dos Santos Tercilio Garcia, um são-paulino de 32 anos com deficiência auditiva, perdeu a vida quando uma munição conhecida como "bean bag", adotada pela Polícia Militar (PM) desde 2021, atingiu sua cabeça.
A confirmação desses eventos foi feita na tarde desta quinta-feira (28) pelo g1 e pela TV Globo, através da delegada Ivalda Oliveira Aleixo, diretora do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil. A mesma confirmação havia sido anteriormente divulgada pela Rádio CBN.
Ainda resta a investigação para determinar quem foi responsável pelo disparo que vitimou o torcedor, ocorrido do lado de fora do Estádio do Morumbi, após a conquista do título da Copa do Brasil pelo time contra o Flamengo. A Polícia Militar (PM) admitiu o uso de munições "bean bags" para conter os são-paulinos, alegando que estavam envolvidos em atos violentos na região. Rafael Garcia foi encontrado sem vida após a confusão.
"Na ocasião, os policiais militares realizaram ações de controle de multidão com uso de munições de menor potencial ofensivo como bean bags, elastômero e jatos de água", informa trecho da nota divulgada nesta quinta pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
O caso é investigado como homicídio durante tumulto pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Até a última atualização desta reportagem nenhum suspeito pelo crime foi identificado ou detido.
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Fontes da reportagem disseram ter encontrado um objeto preso à nuca de Rafael. O artefato é semelhante a um saco. E teria ferido a cabeça do torcedor. Por esse motivo, a polícia investiga a suspeita de que alguma "bean bag", munição adotada pela PM, possa ter sido disparada e atingido o são-paulino. O boné que ele usava tinha um furo na parte de trás, provavelmente em razão do tiro.
Além disso, mais três sacos, semelhantes a "bean bags", foram apreendidos pelos peritos e também passarão por análise na Polícia Científica.
"Beans bags" ("sacos de feijão", numa tradução literal do inglês para o português) são na prática pequenas esferas de chumbo envoltas por plástico que ficam dentro de sacos de tecido sintético. Esse tipo de munição foi adquirida em 2021 pela PM para substituir gradativamente as balas de borracha, que, segundo a corporação, apresentaram falhas em testes. Entre os problemas foram detectados desvios de trajetória durante os tiros, colocando pessoas em risco.
Tanto a "bean bag" quanto o elastômero (nome técnico da bala de borracha) são disparados por uma espingarda calibre 12. Segundo protocolos da PM, as "bean bags" têm de ser disparadas a uma distância mínima de 6 metros, enquanto as balas de borracha precisam de 20 metros para ter segurança de que não causará um dano maior a quem for atingido.
"Bean bags" e balas de borracha também são consideradas munições menos letais. Apesar disso há casos de mortes registradas pelo mundo no uso dela. Em 2019 um manifestante morreu na Colômbia depois de ter sido atingido pela munição. E em setembro deste ano uma mulher foi morta após ser ferida pelo artefato. Ainda não há registros oficiais de mortes no Brasil pelo uso das "bean bags".
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