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“Bêbado vai” e “comeria no lucro”: O que se sabe sobre lista sexual criada por alunos com 65 alunas em escola

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Polícia investiga relação criada por alunos com categorias de teor sexual envolvendo adolescentes de 14 e 15 anos; seis vítimas já registraram ocorrência  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 09/07/2026, às 09h06



Uma lista com categorias de teor sexual envolvendo 65 alunas do Colégio Cruzeiro, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, é investigada pela Polícia Civil. Até o momento, seis meninas registraram ocorrência na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav), que começou a ouvir as vítimas nesta quinta-feira (9). A relação, criada por alunos em uma plataforma on-line, já foi retirada do ar.

O caso envolve adolescentes de 14 e 15 anos que tiveram seus nomes associados a categorias consideradas depreciativas. A investigação apura quem criou e quem participou da divulgação do conteúdo.

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Como funcionava a lista
A relação foi feita em uma plataforma on-line conhecida como “tierlist”, usada para organizar pessoas ou itens em categorias. No caso investigado, as alunas foram classificadas em grupos com conotação sexual.

Entre as categorias identificadas estavam:

“GOAT” (sigla em inglês para “greatest of all time”, termo usado para “melhor de todos os tempos”);
“Comeria no lucro”;
“Bêbado vai”;
“Me arrependi depois”;
“Nem olharia”.
Segundo a investigação, os envolvidos são menores de idade e podem responder por atos infracionais análogos a crimes como injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame e constrangimento. Outros crimes podem ser incluídos caso sejam encontradas provas de ameaças ou agressões psicológicas.

Polícia começa a ouvir vítimas
A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima recebeu o caso há cerca de dois dias e vai reunir os registros de ocorrência para conduzir a investigação de forma integrada.

O diretor da unidade de Jacarepaguá do Colégio Cruzeiro foi ouvido na quarta-feira (8). Em depoimento, ele informou que a escola tenta identificar internamente os responsáveis pela criação da lista. Ele não falou com a imprensa.

A delegada Maria Luiza Machado, da Dcav, afirmou que ainda não é possível informar quantos alunos estão envolvidos.

"Nós recebemos esse caso há uns 2 dias e estamos empreendendo todos os esforços para reunir todos os boletins de ocorrência aqui na delegacia para investigar de forma integrada. É um caso que causa repulsa, principalmente aos pais, que veem o nome de suas filhas nessa lista extremamente pejorativa", afirma.
Segundo a delegada, casos envolvendo compartilhamento de conteúdos desse tipo têm aumentado.

“A gente vê realmente que ultimamente o volume desse compartilhamento tem crescido. E as vítimas se tornam cada vez mais vulneráveis, não só pela idade, mas também pelo gênero”, explicou a delegada Maria Luiza Machado.
Como será o depoimento das adolescentes
As vítimas serão ouvidas por meio de depoimento especial, procedimento utilizado em casos envolvendo crianças e adolescentes. O objetivo é reunir informações para a investigação sem que a vítima precise repetir o relato diversas vezes.

“A gente, de fato, tem uma cautela específica, tem um setor específico para depoimento especial para que a gente consiga ouvir essas vítimas de forma a não revitimizá-las", explicou a delegada.
Os depoimentos são conduzidos por policiais especializados. Eles ficam em uma sala com as vítimas, enquanto delegados acompanham o procedimento em outro ambiente.

O que diz o Colégio Cruzeiro
O Colégio Cruzeiro informou que registrou um boletim de ocorrência, denunciou o conteúdo à plataforma onde a lista foi criada e comunicou as famílias. A escola afirmou que a relação já foi retirada do ar.

Em nota, o colégio declarou:

"O bem-estar e a segurança de nossos alunos são prioridades absolutas no Colégio Cruzeiro e repudiamos qualquer atitude de exposição que os afetem. Assim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorrência, exigimos a remoção do conteúdo junto à plataforma — o que já foi feito —, alertamos as famílias e iniciamos o apoio integral às alunas e suas famílias."
A instituição também informou que promove campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia e delegados.

Sobre a autoria e possíveis punições, o colégio afirmou que “as autoridades competentes estão cumprindo o seu papel investigativo”.

Classificação Indicativa: Livre

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