Polícia

“Brigas com cracudos” e braço quebrado: O currículo violento que jovens usavam para entrar em clube de luta

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Vídeos mostram gritos de incentivo e contagem de golpes durante lutas assistidas por outros adolescentes  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 23/04/2026, às 09h28 - Atualizado às 09h40



Não bastava querer participar. Para entrar, tinha que provar,  nem que fosse na base da fantasia ou da violência transformada em medalha. Em um grupo de WhatsApp, adolescentes de 15 a 17 anos listavam supostas “experiências” em brigas como se fosse um currículo. A lógica era simples: quanto mais agressiva a história, maior a chance de aceitação.

As mensagens, obtidas pelo Metrópoles, mostram como funcionava a triagem. Idade, altura e peso vinham primeiro. Depois, o chamado “currículo porradeiro”, recheado de relatos que misturam exagero, tentativa de afirmação e, em alguns casos, descrições explícitas de agressões. Um dos jovens, de 17 anos, escreveu: “inúmeras brigas com mendigos e cracudos do Plano Piloto e Entorno do DF (invicto)”. A frase veio acompanhada de emojis de riso e fogo — reação que se repetia sempre que alguém subia o tom.

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Outro participante, de 18, afirmou ter “quebrado braço de neguinho no Na Praia”. A referência ao festival de música em Brasília não passou despercebida no grupo, que respondeu com emojis de caveira, numa espécie de aplauso digital. Ali, violência virava capital simbólico.

Nem tudo, porém, seguia essa linha. Entre uma tentativa de impressionar e outra, surgiam descrições quase caricatas: “Youtuber de Minecraft”, “Fiz um ano de academia”, “Jovem aprendiz” ou até “Já consegui fazer flexão uma vez”. Em meio a isso, também apareciam frases como “faixa rosa da putaria” com “1 ano de punheta consecutiva”, sempre acompanhadas de reações exageradas dos colegas. O tom oscilava entre deboche, competição e busca por validação.

Lutas marcadas e plateia
Do outro lado da tela, a organização ia além da conversa. As lutas eram combinadas com antecedência, com direito a enquetes para definir quem enfrentaria quem. Havia regra mínima de participantes — o tal do quórum — para que os confrontos saíssem do papel.

Quando aconteciam, seguiam um roteiro improvisado, mas com elementos típicos de combate: tatame, luvas de boxe e até um “árbitro” responsável por contar os golpes. Pelo menos 15 adolescentes assistiam de perto. Muitos filmavam.

Um dos vídeos mostra bem o clima. Gritos de incentivo — “bate, bate, bate” — se misturam à contagem em voz alta. Em determinado momento, o responsável pela arbitragem anuncia o 25º golpe, enquanto a plateia reage, entre excitação e normalização da agressão.

Investigação em andamento
O caso é investigado pela 10ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. Os investigadores tentam identificar quem organizava os encontros e de quem era o imóvel usado para as lutas. A Secretaria de Justiça e Cidadania do DF informou que acompanha o caso. O Conselho Tutelar foi acionado para verificar se houve participação ou incentivo de adultos.

Classificação Indicativa: Livre

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