Polícia

Câmera corporal registra momento em que PM mata idoso com tiro

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Especialista afirma que não houve disparo acidental; caso será investigado pela Polícia Civil  |   Bnews - Divulgação Reprodução/g1
Melissa Lima

por Melissa Lima

melissa.lima@bnews.com.br

Publicado em 29/05/2024, às 19h47



Imagens de câmeras corporais, obtidas e divulgadas pela Globo, registraram o momento em que um policial militar atirou e matou Clóvis Marcondes de Souza, de 70 anos, que estava indo até a farmácia. O crime aconteceu no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, no dia 7 de maio.

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Quatro policiais militares da Força Tática fizeram parte ocorrência, mas o responsável pelos disparos foi o sargento Roberto Marcio de Oliveira. O tiro atingiu a cabeça de Clóvis, enquanto ele transitava pela calçada. Os agentes miravam dois suspeitos em uma moto e o idoso não tinha nenhuma relação com a ocorrência.

No primeiro momento, a PM afirmou que o tiro havia sido acidental e por isso não comunicou sobre a ocorrência, nem registrou um boletim. Em contrapartida, as imgens das câmeras corporais mostram outra realidade. 

A gravação inicial mostra todos os policiais dentro da viatura, perseguindo os dois homens na motocicleta. Foi apenas depois de dois minutos dos disparos que os agentes perceberam que o idoso foi baleado.

Entenda a cronologia dos fatos:

16h10 - Sargento saca a arma e atira do interior da viatura em direção aos suspeitos;
16h11 - Policiais descem da viatura e revistam os homens;
16h12 - PMs percebem que o idoso está caído no chão e ferido por disparos de arma de fogo;
16h19 - Primeira equipe do Corpo de Bombeiros chega de moto para socorrer a vítima;
16h22 - Idoso recebe massagem cardíaca;
16h32 - Duas viaturas de resgate do Corpo de Bombeiro chegam no local;
16h34 - Bombeiros param a massagem cardíaca e usam o desfibrilador na vítima;
16h37 - Óbito é constatado e o corpo é coberto por uma manta térmica.

Questionada pelo g1 sobre o motivo dos vídeos estarem sem áudio e o Procedimento Operacional Padrão que os PMs deveriam ter sido seguido, a SSP não deu nenhuma resposta.

"A Polícia Militar esclarece que todas as circunstâncias relacionadas aos fatos, inclusive a operação das câmeras corporais, seguem em apuração pela corporação por meio de Inquérito Policial Militar (IPM). O policial permanece detido no presídio militar Romão Gomes. Um inquérito policial também está em andamento pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com acompanhamento do Ministério Público", informou a pasta em nota.

Justiça comum assume caso

A Justiça Militar acatou o pedido do Ministério Público e se declarou incompetente para analisar o caso. Com isso, o julgamento passará a ser responsabilidade da Justiça comum.

O juiz Ronaldo João Roth considerou que houve dolo eventual na ação do sargento Roberto Marcio de Oliveira, de 49 anos, que fez o disparo que resultou na morte do aposentado.

Roth também citou que houve falhas de procedimentos operacionais e mencionou o “método Giraldi”, que foi criado justamente para diminuir a letalidade, que orienta: “nunca manuseie arma ou munição no interior da viatura”.

“Fica evidente, assim, que a arma somente disparou pelo fato de o investigado ter acionado o gatilho de sua arma, precipita e desastradamente, colocando em risco terceiras pessoas inocentes, diante da abordagem policial, o que tirou a vida da vítima”, concluiu o juiz.

Segundo o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), André Pereira, a ação da Polícia Militar serviu somente para atrasar o julgamento a partir de agora e que toda essa situação poderia ter sido evitada.

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