Polícia
Publicado em 06/12/2024, às 10h19 - Atualizado às 11h13 Victória Valentina
A Polícia Civil intensificou, nesta sexta-feira (6), as buscas por Paulo Daniel Pereira Gentil do Nascimento e Matusalém Silva Muniz, trabalhadores de um ferro-velho localizado no bairro de Pirajá, em Salvador, que desapareceram no dia 4 de novembro.
Equipes estão concentradas na represa da Barragem do Cobre após uma denúncia de que corpos foram descartados no local. Mergulhadores do Corpo de Bombeiros estão atuando na área para verificar a informação.
Em entrevista ao BNews, que acompanha o trabalho de perto, o delegado Nelis Araújo, responsável pelas investigações, explicou que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) já estava realizando diversas incursões e apurando as denúncias anônimas que apontavam possíveis locais. "Além da expectativa, é certeza maior é de que o descarte dos corpos das vítimas tenha sido feito aqui neste local", declarou.
A operação envolve cinco equipes, totalizando 20 policiais civis, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP), além de militares do Corpo de Bombeiros.
Relembre o caso
No último dia 4 de novembro, Paulo Daniel e Matuzalém foram vistos pela última vez após saírem de casa para trabalhar no ferro-velho. Familiares acusam o patrão deles, Marcelo Batista da Silva, como principal suspeito pelo desaparecimento. O homem, por sua vez, acusa os funcionários de furto de alumínio.
Imagens de câmeras de segurança flagraram os últimos momentos dos jovens antes do sumiço. Desde então, as forças policiais iniciaram as buscas pelos dois.
O dono do local, Marcelo Batista, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça em 9 de novembro, mas ele fugiu e é procurado. Além do mandado de prisão em aberto, ele aparece em investigações de outros crimes como duplo homicídio, tentativa de homicídio, além de envolvimento com milícia e facção criminosa e responde por violência doméstica contra a ex-mulher.
Já na Justiça do Trabalho, Marcelo responde nove processos que estão em tramitação, enquanto outros 60 foram arquivados. As acusações abordam descumprimento de pagamento de salário, horas extras, assédio sexual e tortura.
Um carro dele foi periciado após ter sido encontrado em uma loja especializada em veículos de alto padrão, na cidade de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Um homem, ainda não identificado, deixou o carro no local e solicitou a troca dos bancos alegando ter adquirido o bem com alguns pontos de sujeira. A polícia, porém, acredita que a sujeira pode se tratar de vestígios de sangue dos rapazes.
No dia 8 de novembro, um outro carro que pertence a Marcelo, modelo Volvo, foi completamente incendiado. Ele estava estacionado ao lado do ferro-velho.
Denúncias
Em relato ao programa Se7e da Matina, do BNews, Kaylane Santos, esposa de Paulo Daniel Pereira Gentil, um dos desaparecidos, contou que o jovem era explorado no ambiente de trabalho.
De acordo com ela, o marido passou a trabalhar no ferro-velho três semanas antes de desaparecer. Apesar do curto período de experiência no local, ela relatou que o ambiente era ruim e que ele ficou cerca de três dias trabalhando lá, sem retornar para casa.
"Era horrível. Ele era tratado mal, era praticamente escravizado. Teve uma semana que ele ficou três dias lá preso, sem poder sair, trabalhando. Quando terminou, nem conseguiu pegar o dinheiro, não ganhou dinheiro nenhum. Ficou três dias sem dormir, sem poder se comunciar com a gente, todo mundo preocupado. Quando terminou, nem o dinheiro ele recebeu", detalhou.
Em entrevista à TV Record, um ex-funcionário do local, que preferiu não se identificar, disse que Marcelo torturava os colaboradores, utilizando uma máquina de prensa para penalizá-los. Em uma das ocasiões, um rapaz perdeu quatro dedos.
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