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Caso Sáttia Lorena: Médica fala pela primeira vez sobre crime e critica absolvição de suspeito

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Sáttia Lorena revelou tratamento machista durante julgamento e criticou absolvição de suspeito  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes sociais
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 26/07/2024, às 13h32



 A médica Sáttia Lorena Patrocínio Aleixo se pronunciou pela primeira vez após sobreviver a tentativa de feminicídio do seu ex-parceiro, o médico Rodolfo Cordeiro Lucas, nesta sexta-feira (26).

Ao Balanço Geral, da emissora Record, a médica deu detalhes sobre sua luta pela sobrevivência, quatro anos após ser agredida e arremessada do 5º andar do seu apartamento no condomínio Serra do Mar, no bairro de Jardim Armação.

"Eu ainda estou em processo de cura", iniciou Sáttia, comovida com o relato.

A médica revelou que se lembra do combate corporal que passou com Rodolfo, que a enforcou e agrediu repetidas vezes no dia 20 de julho de 2020, quando ocorreu a queda do apartamento. "Em um momento a gente começou a luta corporal e ele me enforcava, eu ouvia a campainha, mas não conseguia sair", relembrou.

"Ele me empurrou pela janela, eu tentei me segurar, mas ele pegou minhas mãos e soltou", declarou a sobrevivente.

Vale lembrar que Rodolfo Cordeiro foi absolvido pelas acusações de tentativa de feminicídio no dia 7 de novembro de 2022, pelo juiz Vilebaldo José de Freitas.

Na ocasião, a promotoria do Ministério Público solicitou a absolvição doe Rodolfo após alegar a falta de materialidade para comprovar a tentativa de feminicídio. "Vale ressaltar ainda, que diante da tentativa de suicídio, não há indícios que o acusado, tenha induzido, instigado ou prestado auxílio material para que Sattia Lorena promovesse a destruição deliberada da própria vida, através da precipitação do quinto andar, do apartamento em que residia", declarou o promotor Fernando Lucas Carvalho Villar de Souza, Titular da 3ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri, ao solicitar a absolvição.

No entanto, ao Balanço geral, Sáttia Lorena revelou que não foi bem tratada pelo promotor responsável por acompanhá-la na época, e que o homem a teria tratado como "louca e histérica" e sido "extremamente machista".

A vítima ainda acrescentou que Rodolfo tentou contato com ela através das redes sociais. "Ele tentou contato, mas eu bloqueei. Não quero de forma nenhuma, eu tenho muito medo ainda, e é horrível viver assim", contou.

Após enfrentar anos de medo, a médica resolveu recorrer à Justiça quanto a absolvição de Rodolfo Cordeiro Lucas. Lorena precisou voltar ao interior para se recuperar das agressões e sequelas emocionais e físicas, vivendo com sua família, e com medo de voltar a Salvador. "Mulher, você não aceite nenhum tipo de violência psicológica, emocional ou física. Saia da relação, a qualquer tipo de sinal vermelho", refletiu, comovida com o desabafo.

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