Polícia

Contradição? Ator que alegou confundir criança estuprada com namorada se apresentava como solteiro em aplicativo

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Conforme a investigação, laudo do exame de corpo de delito feito n criança identificou lesões compatíveis com violência sexual incluindo dilaceração anal  |   Bnews - Divulgação Reprodução | Redes Sociais
Maiara Lopes

por Maiara Lopes

maiara.lopes@bnews.com.br

Publicado em 06/08/2026, às 16h09 - Atualizado às 16h29



A investigação contra o ator Marco Furlan, de 48 anos, ganhou um novo capítulo após a descoberta de um perfil atribuído a ele no Tinder. Preso em flagrante por suspeita de estuprar um menino de 5 anos durante uma festa de aniversário em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, Furlan alegou à Polícia Civil que teria confundido a criança com sua namorada por estar embriagado. A justificativa, porém, passou a ser questionada depois que veio à tona um perfil no aplicativo de relacionamentos em que ele se apresentava como solteiro.

Na plataforma, onde informava ter 42 anos, o ator compartilhava selfies, fotos de viagens e imagens sem camisa. Na descrição, dizia morar em Campos do Jordão, afirmava estar solteiro e declarava procurar um relacionamento sério e monogâmico.

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"Tô solteiro e não vejo nenhum problema em conhecer alguém pelo app", escreveu na apresentação.

A existência do perfil chamou atenção porque contrasta com a versão apresentada por Furlan durante o primeiro interrogatório, quando afirmou ter confundido a vítima com a própria namorada.

Desde a prisão, ocorrida no último domingo, familiares do ator iniciaram uma força-tarefa para retirar suas contas das redes sociais do ar. Após um advogado visitar a delegacia, os perfis de Marco Furlan no Instagram, Facebook e X (antigo Twitter) foram desativados.

O perfil no Tinder, entretanto, permaneceu ativo. Segundo pessoas próximas, o ator teria afirmado não lembrar a senha cadastrada no aplicativo, o que impediu sua exclusão imediata.

tinder

O que diz a investigação

Segundo a Polícia Civil, Marco Furlan participou da festa por ser primo da aniversariante, cuja família mantinha amizade com a mãe da vítima. O evento aconteceu em uma chácara alugada e reunia parentes e amigos.

O menino, de 5 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi colocado para dormir sozinho em um dos quartos da propriedade enquanto a comemoração seguia durante a madrugada.

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De acordo com a investigação, pouco tempo depois Furlan entrou no quarto. Minutos mais tarde, a criança começou a chorar. A mãe correu até o local acompanhada por outros convidados e, segundo o boletim de ocorrência, encontrou o ator e o menino sem roupas. O suspeito foi imobilizado pelos presentes até a chegada da Polícia Militar.

Versão mudou durante o caso

No primeiro depoimento, Marco Furlan afirmou que havia consumido bebida alcoólica, estava passando mal e teria confundido a criança com sua namorada.

Na audiência de custódia, no entanto, o ator optou por permanecer em silêncio. A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, e ele continuará preso enquanto o caso é investigado.

Segundo representantes da família da vítima, a versão apresentada pelo investigado perdeu força ao longo das apurações. Eles afirmam que Furlan não estava acompanhado de nenhuma namorada durante a festa e que, posteriormente, passou a alegar que não se lembrava do que havia acontecido, mudando a justificativa apresentada inicialmente à polícia.

Laudo confirma lesões

A criança foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML), onde passou por exame de corpo de delito. Conforme a investigação, o laudo identificou lesões compatíveis com violência sexual, incluindo dilaceração anal.

Familiares relataram ainda que, após o episódio, o menino apresentou regressão no tratamento do Transtorno do Espectro Autista, voltando a manifestar comportamentos que já haviam sido superados.

Se condenado, Marco Furlan poderá cumprir pena de até 40 anos de prisão, a depender da tipificação final do crime e da decisão da Justiça.

Classificação Indicativa: Livre

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