Polícia

Cooperativa de anestesistas é investigada por cartel e boicote a hospitais

Reprodução Pixabay
Operação da Polícia Civil investiga grupo por dominação do mercado de anestesia e práticas de cartel em hospitais privados  |   Bnews - Divulgação Reprodução Pixabay
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 24/04/2025, às 09h07 - Atualizado às 10h08



A Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Distrito Federal (Coopanest-DF) está no centro da Operação Toque de Midaz, da Polícia Civil, sob suspeita de monopolizar o mercado de anestesia na rede privada, impondo condições abusivas a clínicas, operadoras de saúde e até órgãos públicos.

Segundo revelou a coluna Na Mira, do site Metrópoles, anestesistas autônomos eram barrados e, mesmo os recém-chegados ao DF, só conseguiam atuar na rede privada se integrados a um grupo autorizado pela cooperativa.

Durante as investigações, a polícia identificou boicotes contra hospitais e convênios que recusavam as exigências da Coopanest. Cirurgias eram desmarcadas e os profissionais se negavam a atuar, inviabilizando atendimentos. A cooperativa teria criado sua própria “tabela de valores”, com preços até sete vezes maiores do que os praticados por entidades de referência como a CBHPM e a AMB.

Um convênio ligado à Força Aérea Brasileira chegou a ser descredenciado após contestar os valores. Clínicas privadas, como uma de radioterapia, também relataram a recusa de anestesistas devido a discordâncias contratuais — e não conseguiram contratar outros profissionais, já que todos estariam vinculados direta ou indiretamente à Coopanest.

O bloqueio teria atingido até hospitais públicos, como o Hospital da Criança de Brasília e unidades da Secretaria de Saúde do DF. As instituições relataram dificuldade em contratar anestesistas devido aos valores exigidos. Um levantamento aponta que mais de 1.300 cirurgias gerais, incluindo 500 pediátricas, deixaram de ser realizadas por inviabilidade financeira.

A operação da Polícia Civil, em parceria com o Ministério Público do DF, foi deflagrada em abril e cumpriu mandados de busca e apreensão contra médicos anestesiologistas e dirigentes da Coopanest, suspeitos de formação de cartel, organização criminosa, constrangimento ilegal e lavagem de dinheiro.

Em nota ao Metrópoles, a cooperativa negou qualquer irregularidade e afirmou que “nunca houve e não há cartel”, garantindo compromisso ético com seus cooperados ao longo de mais de 40 anos de atuação.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)