Polícia
O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, voltou a defender a necessidade de endurecer a legislação penal. Em entrevista ao apresentador Zé Eduardo, durante o programa Giro Baiana, transmitido pela BNews TV e pela Baiana FM, nesta sexta-feira (10), ele falou que a medida é crucial para o combate ao crime organizado.
“Para que a gente possa melhorar a sensação de segurança, logicamente, além das operações, além da presença mais maciça de policiais, com reforço de policiamento e de viaturas como a gente teve, a gente precisa também diminuir a impunidade”, disse.
Mudança no crime e avanço das facções
Ao responder a questionamentos de ouvintes sobre o crescimento das facções, Werner apontou uma mudança no perfil da criminalidade nos últimos anos, especialmente após conexões com grupos de fora do estado.
“Primeiro, uma mudança cultural que ocorre a partir da dinâmica criminal. A partir de 2022, houve a associação de facções daqui, não só daqui, do Nordeste como um todo, com as facções do Rio de Janeiro e São Paulo”, disse.
Segundo o chefe da SSP-BA, essa articulação trouxe uma nova forma de atuação, mais violenta e organizada. “Há uma mudança de modus operandi, com demonstração e ataque às forças e à população. Por isso que a gente tem apreendido mais armas longas, como fuzis.”
“Criminosos sabem que vão sair”
O secretário foi direto ao apontar o que considera um dos principais gargalos no enfrentamento ao crime: a reincidência.
“Muitos dos criminosos presos sabem que vão sair, né? E que já foram presos. A grande maioria deles, principalmente os mais violentos, já são reincidentes”, pontuou.
Pressão por leis mais duras
Werner também defendeu mudanças na legislação penal, com aumento de penas e restrições a benefícios para integrantes de organizações criminosas.
“A gente precisa de uma lei mais dura. A ‘Lei Antifacção’ vem com esse propósito: aumentando as penas de 20 a 40 anos para faccionado, com a impossibilidade de concessão de alguns regimes”, explicou
Ele citou ainda a necessidade de acelerar a perda de bens apreendidos do crime organizado. “Com a perda rápida e efetiva dos bens também que foram apreendidos, para que a gente possa desburocratizar esse processo e realmente fomentar as ações de segurança e tirar de circulação esses criminosos”.
Além da polícia, um debate estrutural
Ao longo da entrevista, o secretário insistiu que o enfrentamento ao crime exige uma combinação de fatores: presença policial, inteligência e mudanças legais.
“A gente começa a trabalhar e ir para cima disso. Trabalhar firmemente contra as facções”, concluiu.
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