Polícia
por Silvânia Nascimento
silvania.nascimento@bnews.com.br
Publicado em 08/03/2025, às 13h23 - Atualizado às 15h04
"Eu posso servir e proteger. Isso é missão de anjo, e anjo não tem sexo. Então, eu posso fazer parte desse grupo". A declaração é da major Ivana Ribeiro, 50 anos, uma das 5.135 mulheres integrantes da Polícia Militar (PM), que, com orgulho, relata sua trajetória na corporação baiana.
Neste sábado, 8 de março, data em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, o Bnews traz, nesta matéria, a história de duas policiais (policiais femininas - Pfems) que atuam com bravura e dedicação na Polícia Militar da Bahia (PMBA). Atual comandante da 82ª Companhia Independente da PM (CIPM/CAB), major Ivana, que, em 1996 - ano de ingresso na instituição bicentenária - ainda não tinha tanta consciência sobre a missão de ser policial, mas quando se deu conta do valor dessa profissão, enfrentou todas as adversidades que surgiram, sobretudo o preconceito por ser mulher, e, sem sucumbir, foi avante.
"Quando eu ingressei, tinha acabado de me formar em administração de empresas e, uma amiga, que hoje também é major da polícia, me chamou para fazer o concurso. Eu não sabia nada, não tinha ninguém na minha família que fosse polícia. Mas enfim, fizemos o curso e adentramos. Então, a missão na polícia começou de uma maneira muito despretensiosa mesmo. Eu não conhecia e nem sabia do potencial da missão da polícia. No primeiro ano, eu ainda estava em fase de adaptação, mas no dia que eu descobri e entendi o propósito, a missão, quando descobri isso, eu disse: eu posso servir e proteger. Isso é missão de anjo, e anjo não tem sexo, então, eu posso fazer parte desse grupo ", declarou a oficial.
Ao longo de 29 anos como policial, major Ivana passou e comandou diferentes unidades, a maioria no interior do estado. E foi justamente uma unidade fora da capital baiana que deixou as melhores marcas e lembranças no trajetória da oficial. "Passei 24 anos no interior, então, a unidade do meu coração é o 3º Batalhão, em Juazeiro. Lá eu aprendi tudo. Aprendi com os policiais do interior e, posteriormente, tive a honra de ingressar no CPRN, que é o Comando de Policiamento da Região Norte"
Quando questionada sobre o sentimento em saber que ela, assim como as demais Pfems da corporação, contribui - por meio do jeito feminino de ser - para que a PMBA ofereça, ainda mais, um atendimento humanizado à população, major Ivana destacou que fatores como sensibilidade e empatia precisam andar de mãos dadas com a atividade policial.
"Esse perfil feminino agrega, seja numa risada, seja no cuidado. É aquela coisa que faz parte do perfil da mulher, e isso, com certeza, essa coisa do calor humano contagia muito. Na medida que a gente executa isso, sobretudo as mulheres de liderança, incentiva, também, o homem, as outras guerreiras e a comunidade, que tanto precisa da gente, a ter esse calor humano. Não podemos separar, jamais, segurança pública do calor humano, da afeição. A gente não pode dissociar esse aspecto da figura humana, internamente e nem também com a comunidade. Faz diferença, sim. É uma honra saber que, por meio do meu trabalho, é possível impedir que alguém maltrate o mais fraco, que alguém roube, que alguém mate".
Outra representante da tropa e da força feminina é a sargento Carla Bianca Miguez, 47 anos. Ela, que ingressou na PM em 1997, aos 18 anos, hoje, faz parte do Batalhão de Choque, unidades especializada operacional que atua com policiamento de estádios, distúrbios civis, como rebeliões em presídios, dentre outros.
À reportagem, a sargento comentou sobre como é integrar uma unidade como essa. "O Batalhão de Choque foi uma imensa e prazerosa surpresa pra mim. Cheguei receosa para trabalhar numa tropa especializada, mas à medida que eu me aproximava dos colegas com os treinamentos, dos serviços, das missões, foi crescendo um sentimento de pertencimento à unidade".
Carla Bianca também passou por outras tropas, a exemplo do Esquadrão de Polícia Montada, Corpo de Bombeiros Militar, 16ª CIPM. "Também ajudei a fundar a Operação Apolo, onde aprendi bastante, pois lá trabalhamos com pessoas de várias unidades", lembrou.
E sobre ser uma mulher militar? Para essa pergunta, a sargento destacou o olhar cuidadoso que, para ela, é típico da figura feminina. "A mulher, no geral, segue a regra de forma criteriosa, procurando a melhor forma de fazer, sem prejuízos. A mulher, por ser uma planejadora assídua, consegue projetar o depois, projetar a consequência e trabalhar em cima desse objetivo. Sendo assim, mais difícil de se corromper, de se deixar levar pelo ego e outros vícios no decorrer da trajetória policial militar", disse.
Essas mulheres, policiais baianas, são apenas dois exemplos das inúmeras figuras femininas essenciais para a nação brasileira. Conheça aqui a história do ingresso das mulheres na corporação baiana que, este ano, completou 200 anos de existência.
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