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“Elon Musk brasileiro” é suspeito de comandar esquema de pirâmide e vira alvo do Governo Federal

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Ministério Público Federal investiga a Lecar por publicidade enganosa e estrutura financeira irregular, enquanto empresário nega irregularidades.  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 12/04/2026, às 09h28 - Atualizado às 09h28



O Ministério da Fazenda abriu uma investigação para apurar indícios de esquema de pirâmide financeira na venda antecipada de carros elétricos e híbridos pela Lecar, do empresário Flávio Figueiredo Assis, o “Elon Musk brasileiro”. As informações são da coluna de Tácio Lorran, no site Metrópoles.

Em seu perfil nas redes sociais, a Lecar se apresenta como “a montadora de veículos híbridos e elétricos 100% brasileira criada para revolucionar a mobilidade no Brasil e na América Latina”. Ainda sem uma fábrica construída, a empresa anuncia a venda de automóveis através da modalidade “Compra Programada”, quando o cliente assume um plano de pagamentos em 48, 60 ou 72 meses, sem juros, com a promessa de receber o veículo na metade do período.

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No entanto, o Ministério da Fazenda diz que a Lecar não está autorizada a operar a Compra Programada e que a empresa “possui características típicas de esquemas de pirâmide financeira”.

“A promessa de ‘ganhos robustos sem investimentos’ constitui forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta, pois inexiste no mercado lícito remuneração substancial sem aporte de capital ou trabalho qualificado. Esta terminologia é amplamente reconhecida pela CVM [Comissão de Valores Mobiliários] e pelos Procons como marcador típico de esquemas que prometem rendimentos desvinculados de atividade econômica real”, diz o relatório da pasta.  

Entre os indícios de pirâmide identificados pelo ministério estão: a cobrança para atuação como revendedor, promessa de entrega futura sem produto validado, uso de gatilhos psicológicos de urgência e escassez para pressionar adesões imediatas e dependência da entrada de novos clientes para manter o fluxo financeiro.

A análise foi feita a pedido do Ministério Público Federal, que abriu investigação para apurar suspeitas de crimes como publicidade enganosa e estrutura financeira irregular.

Procurado, o empresário negou irregularidades. Ele disse ainda que a comunicação do negócio “é clara” e que não há escassez ou urgência na oferta, como apontou o Ministério da Fazenda. “Não temos carro homologado, não temos fábrica, tudo está em desenvolvimento. Não estamos vendendo algo diferente do que comunicamos”, afirmou.

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