Polícia

Empresário abriu 334 empresas fantasmas e movimentou mais de R$ 2 bilhões; saiba detalhes

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Empresário se chama Jobson Antunes, mas possui mais de 30 identidades diferentes  |   Bnews - Divulgação Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 25/08/2025, às 05h50



Um empresário fantasma, identificado como Jobson Antunes Ferreira, de 63 anos, conhecido como o "rei dos empréstimos", abriu mais de 330 empresas fictícias e movimentou mais de R$ 2 bilhões. 
O empresário é um ex-oficial da Marinha Mercante. Algemado, ele desceu as escadas da Polícia Federal de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, acompanhado de outros nove presos. As informações foram divulgadas pelo Fantástico da TV Globo.
Jobson contava também com o auxílio da sua esposa Cláudia Márcia, que também possui diversas identidades diferentes. "A minha esposa assinando fica perfeito. Letra de mulher, meu amigo, fica igualzinho. Ela já treinou e tudo", diz um trecho dos diálogos interceptados pela PF.
Segundo a PF, ele também ostenta outros títulos: um dos maiores estelionatários do país e chefe de uma organização criminosa. De acordo com o delegado Bruno Bastos Oliveira,q eu conduz as investigações, foi descoberto que o empresário "geria uma verdadeira empresa do crime.”
De acordo com a PF, Jobson praticava estelionato há mais de 25 anos. O primeiro golpe foi em Itaipuaçu, na Região Metropolitana do Rio, no começo dos anos 2000. Ele tinha uma empresa de material de construção que estava em dificuldade financeira. Pra conseguir empréstimos, passou a criar empresas falsas com outros CNPJs sempre no mesmo endereço. Ele conseguiu o dinheiro com ajuda de contadores, gerentes de bancos públicos e privados.
"Eu vou logo te dizer, eu costumo dar 5% para gerente e normalmente vou dar 5% para você. Porque tudo tem que ser pago, né, querida? É um agrado. É uma retribuição aí pelo trabalho", diz outro trecho interceptado pela PF atribuído ao empresário. 
De acordo com a PF, as empresas eram criadas com ajuda de contadores. "Os contadores diziam para os antigos sócios que tinham dado baixa na empresa, só que a empresa na verdade era transferida para uma outra pessoa, um laranja, para que pudesse funcionar como uma empresa de fachada", diz o delegado.
"As empresas não tinham qualquer produção, elas não vendiam qualquer produto. Elas simplesmente existiam de forma contábil. Então estavam todas regulares, só que não tinha um funcionário, não tinha nenhum produto, não tinha nenhum estabelecimento", explicou o delegado Bruno Bastos.
O delegado diz ainda que o esquema contava com o pagamento das primeiras parcelas dos empréstimos para mascarar o golpe. "Uma vez obtido o empréstimo em nome da empresa de fachada, eles começavam a pagar as primeiras parcelas para que não notassem que se tratava de fraude. Após o pagamento de cerca de dez ou doze parcelas, paravam de pagar. Parecia que a empresa tinha tido dificuldades financeiras, quando na verdade, desde o início, era fraude", explicou o delegado em entrevista do Fantástico. 
Ele já havia sido preso em 2024, quando um laranja foi detido em uma agência bancária tentando sacar dinheiro com documento falso e revelou o esquema.
Jobson ficou seis meses na cadeia e saiu em novembro do ano passado, com tornozeleira eletrônica.
Em nota, o advogado Jair Pilonetto, que responde pela defesa do casal, disse que “os acusados não cometeram os crimes imputados a eles e que a inocência dos dois será comprovada no decorrer da instrução processual”.
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