Saúde
por Camila Sales
Publicado em 21/07/2026, às 09h15 - Atualizado às 13h18
Regina Célia Paschoal, a agente funerária responsável por notar os sinais de vida no bebê Noah Gabriel da Cruz Santos - apontado como falecido devido a uma parada cardiorrespiratória na Santa Casa de Rio Claro (SP) -, relatou ter notado a criança se movimentando no interior de um saco para cadáveres lacrado com fitas, decidindo romper o lacre logo em seguida.
"Abri e o neném começou a se mexer mais ainda, fazia um barulho, que ele queria respirar", disse Regina ao G1
Em 17 anos de profissão, a profissional afirma que nunca presenciou uma situação como essa e continua: "Foi um susto, foi uma emoção grande de ver que a gente foi buscar um morto e estava vivo"
Matheus Batagello, agente que acompanhava Regina, foi o responsável por procurar a enfermeira e contou que "Foi desesperador, mas com alívio, né?". Matheus também disse que ficou em dúvida se poderia ser espasmo.
"Eu falei (para as enfermeiras), 'meu, eu preciso que vocês vão lá ver porque está mexendo e está dando um tipo um soluço, como se estivesse engasgado. Então eu preciso que vocês vão lá para ter certeza'", relembrou em entrevista à EPTV.
Segundo o relato da mãe, Letícia Cristina da Cruz Santos, ela e o marido acompanharam de perto o ocorrido, chegando a presenciar o filho já sem vida e com uma coloração arroxeada.
"Nós estamos contemplando a grandeza de Deus e admirando nosso guerreiro que continua lutando para ficar bem. Cremos no nosso milagre por completo, milagre não se explica, se vive", declarou Letícia.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a mãe descreveu seu estado de êxtase e anestesia. "Por vezes me parece um sonho. Há pouco, eu conversava com meu esposo no hospital enquanto olhávamos para ele (Noah), e ele estava lá, mexendo as perninhas e com os olhinhos abertos. Ficamos maravilhados", desabafou.
Letícia também destacou que Noah recebeu uma excelente assistência ao longo dos 32 dias de internação na Santa Casa, descartando qualquer hipótese de negligência por parte da equipe médica. "Eu vi, inclusive, a hora do acontecido, como a doutora ficou, o quanto ela lutou para tentar reanimar ele", concluiu.
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O bebê Noah nasceu prematuro e com uma malformação congênita caracterizada por uma abertura no céu da boca, decorrente da não união dos tecidos nas primeiras semanas de gestação.
Enquanto aguardava transferência para realizar cirurgia em uma unidade especializada fora de Rio Claro, o recém-nascido apresentou piora clínica e sofreu uma parada cardiorrespiratória no dia em que completava um mês de vida.
A equipe da Santa Casa iniciou imediatamente as manobras de reanimação cardiopulmonar, conduzidas por cerca de 45 minutos, conforme os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Sem resposta às tentativas, o óbito foi constatado no fim da tarde e o corpo do recém-nascido passou cerca de uma hora na UTI Neonatal para o suporte à família e as providências legais, sendo depois levado a um setor onde aguardaria a liberação.
Em nota, a Santa Casa de Rio Claro afirmou que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação de óbito foram rigorosamente seguidos e que não houve falha assistencial ou erro de procedimento com base nas evidências clínicas disponíveis à época. A instituição classificou o caso como um dos episódios mais “inexplicáveis” de sua história e destacou que o protocolo brasileiro para verificação de morte é reconhecido pelo rigor e segurança.
Não foi divulgado quais os sinais vitais foram identificados pela funcionária da funerária.
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