Polícia
por Alex Torres
Publicado em 20/05/2026, às 16h05 - Atualizado às 16h39
Entidades que representam agentes de segurança pública participaram de uma reunião, nesta terça-feira (19), para discutir a decisão do Tribunal do Júri que absolveu Rodrigo da Silva Matos, acusado pelas mortes do tenente Luciano Libarino Neves e do soldado Robson Brito de Matos, assassinados em julho de 2021.
O encontro aconteceu em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, e contou com a presença do comandante coronel Paulo Henrique e familiares das vítimas, para discutir os desdobramentos do julgamento e os próximos encaminhamentos jurídicos relacionados ao caso.
De acordo com o presidente da Força Invicta, Major Igor Rocha, a associação já iniciou, juntamente com a assessoria jurídica criminal, os trâmites necessários para buscar a anulação do júri popular.
“Não estamos falando apenas de um processo judicial. Estamos falando de dois policiais militares mortos em serviço, de famílias devastadas e de uma categoria que acompanha esse caso com profunda indignação. Nosso compromisso é acompanhar cada etapa dentro da legalidade e garantir o suporte necessário às famílias”, afirmou.
O advogado criminalista Vivaldo Amaral, que atua junto ao jurídico da Força Invicta, afirmou que a entidade passou a acompanhar o caso após ser procurada pelos familiares depois da conclusão do julgamento.
“Após a leitura dos autos, entendemos tecnicamente que a decisão do júri foi manifestamente contrária às provas do processo. Os autos demonstram, com clareza, que os militares foram executados. Acreditamos que o Ministério Público possa reverter essa decisão e obter a anulação do julgamento para que um novo júri popular seja realizado”, declarou.
Durante a reunião, familiares relataram sofrimento e indignação diante do resultado do julgamento. A viúva do tenente Luciano afirmou ter ficado “estarrecida” ao descobrir a absolvição e disse que não sabia da realização do júri naquela data, tomando conhecimento do julgamento apenas posteriormente.
Já o pai do soldado Robson Brito, que acompanhou o júri presencialmente, afirmou ter percebido uma mudança no rumo do julgamento ao longo da sessão, situação que aumentou a angústia da família diante do resultado final.
Para as entidades que acompanham o caso, a mobilização agora busca garantir que os próximos passos jurídicos sejam conduzidos dentro da legalidade, ao mesmo tempo em que as famílias seguem recebendo apoio institucional e acompanhamento diante da repercussão causada pelo julgamento.
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