Polícia
Um homem em situação de rua foi alvo de descargas elétricas na porta de uma universidade particular, em Belém (PA), na manhã de segunda-feira (13). As cenas, gravadas e espalhadas rapidamente nas redes, mostram a vítima caminhando sem perceber a aproximação, até ser atingida por uma arma de choque. Mais de uma vez.
Quem aparece nas imagens não tenta esconder. Ri. Se afasta. Volta. Repete.
Dois estudantes de Direito foram identificados pela polícia: Altemar Sarmento Filho, apontado como o responsável pelas descargas, e Antonio Coelho, que filmava. Um deles chegou a ser levado à delegacia ainda na segunda, prestou depoimento e foi liberado. A defesa não foi localizada até agora.
O que mostram os vídeos
Os registros são curtos, mas suficientes para dimensionar a agressão. Em pelo menos dois momentos, o estudante se aproxima por trás e aciona o dispositivo. A vítima reage, sem entender exatamente o que aconteceu.
Ao redor, risadas. A repercussão foi imediata. Não só pela violência em si, mas pela forma, gratuita, exposta, transformada em entretenimento.
Inaceitável esse tipo de situação continuar se repetindo, hoje no meu CESUPA um bando de imbecis decidiram eletrocutar um morador de rua local (inofensivo, nunca fez nada pra ninguém) e depois fugiram pra dentro de instituição. Até quando isso vai continuar acontecendo, sério. pic.twitter.com/DfnmUBTREE
— Tarkeus (@Tarkeus175801) April 13, 2026
“Brincadeira” teria motivado ataques
Entre alunos de outras instituições, circula a versão de que tudo faria parte de uma dinâmica de “verdade ou desafio”. Não há confirmação oficial disso, mas relatos indicam que episódios semelhantes já teriam ocorrido antes, também envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade.
Estudantes de uma universidade particular de Belém (PA) gravaram vídeos atacando um morador de rua com arma de choque. O MPF vai investigar o caso. As imagens mostram um estudante de direito se aproximando da vítima e disparando o equipamento, enquanto outro jovem filma a ação. pic.twitter.com/dM4ELd9efV
— Reinaldo Gottino (@RGottino) April 14, 2026
Testemunhas contam que entregadores que passavam pela avenida Alcindo Cacela viram a agressão e tentaram alcançar os estudantes. Houve corrida. Os suspeitos entraram no Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa). Os trabalhadores ficaram do lado de fora, barrados por seguranças.
Universidade reage
Em nota, o Cesupa diz que lamenta o episódio e afirma ter tomado providências imediatas. Os dois estudantes foram afastados e um procedimento interno foi aberto. A instituição também informou que está colaborando com as autoridades.
O coordenador do curso de Direito acompanhou pessoalmente os desdobramentos na delegacia.
Universitários agridem morador de rua com arma de choque enquanto gravam e riemhttps://t.co/A9k36ebflZ pic.twitter.com/dQ8y5itk0g
— QB News (@qbnewsoficial) April 13, 2026
Investigação em curso
A Polícia Civil registrou boletim de ocorrência após a apresentação de um dos envolvidos pela Polícia Militar, na Seccional de São Brás. O inquérito deve apurar as circunstâncias da agressão.
Até agora, não há atualização sobre o estado de saúde do homem atacado.
MPF entra no caso
A circulação dos vídeos também levou o Ministério Público Federal a agir. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Pará abriu apuração e pediu informações à universidade, com prazo de 48 horas.
Além disso, o órgão informou que deve encaminhar representação ao Ministério Público do Estado do Pará, responsável pela esfera criminal.
Enquanto o Padre Júlio Lancellotti alimenta moradores de rua, estudante de Universidade privada ataca morador de rua com choque. pic.twitter.com/oHQDZLPLOm
— Pedro Ronchi (@PedroRonchi2) April 14, 2026
Pressão política
O episódio chegou à Assembleia Legislativa. A deputada estadual Lívia Duarte (Psol) cobrou providências formais, incluindo a abertura de inquérito.
Nos ofícios enviados, ela classifica a agressão como possível lesão corporal ou até tortura, além de apontar humilhação e aporofobia, discriminação contra pessoas pobres. Também pediu acesso às câmeras de segurança da universidade e a identificação completa dos envolvidos.
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