Polícia
por Analu Teixeira
Publicado em 10/09/2026, às 20h54
Foragido desde a deflagração da Operação Dakovo, em dezembro de 2023, o argentino Diego Hernán Dirisio, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como um dos principais responsáveis por um esquema internacional de tráfico de armas, foi extraditado para o Brasil. A transferência ocorreu nesta quarta-feira (9), após mais de dois anos de prisão na Argentina.
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Dirisio é réu em uma ação penal que tramita na Justiça Federal da Bahia, segundo a denúncia do MPF, ele teria comandado uma organização criminosa responsável pela entrada ilegal de armamentos no Brasil. O empresário responde por organização criminosa, 25 episódios de tráfico internacional de armas e 28 episódios de lavagem de dinheiro.
O argentino era sócio-administrador de uma empresa sediada no Paraguai que, segundo as investigações, era utilizada para viabilizar a aquisição de armas no exterior. Os armamentos eram levados legalmente para o país vizinho e, posteriormente, introduzidos de forma clandestina no território brasileiro.
A investigação aponta ainda que parte das armas tinha os números de identificação adulterados no Paraguai, dificultando o rastreamento. O esquema envolvia armamentos de origem europeia e turca, posteriormente destinados ao mercado ilegal brasileiro.
Após a deflagração da Operação Dakovo, Dirisio deixou o Paraguai e passou a ser procurado internacionalmente. Ele foi localizado em Córdoba, na Argentina, em fevereiro de 2024, durante uma ação envolvendo autoridades argentinas e a Interpol. Desde então, permaneceu preso enquanto tramitava o pedido brasileiro de extradição.
A transferência para o Brasil foi realizada com participação das autoridades argentinas e da Interpol. De acordo com informações divulgadas pelas autoridades argentinas, Dirisio deixou o país sob escolta e foi encaminhado ao Brasil para responder às acusações que constam no processo.
O acusado será inicialmente custodiado em uma unidade prisional de Mato Grosso do Sul, antes de ser transferido para o Sistema Penitenciário Federal, conforme informado pelo Ministério Público Federal.
A Operação Dakovo teve origem em uma apreensão realizada em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, em 2020. Na ocasião, foram encontrados fuzis de origem croata. A partir do caso, PF e MPF avançaram sobre a rede internacional responsável pela compra, circulação e distribuição dos armamentos.
A operação foi deflagrada oficialmente em dezembro de 2023 e revelou uma estrutura que, segundo as investigações, utilizava empresas de fachada, intermediários e mecanismos financeiros para movimentar armas e recursos entre diferentes países.
O MPF denunciou 28 pessoas na ação penal principal por crimes relacionados ao tráfico internacional de armas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Outros processos foram desmembrados para tratar de diferentes núcleos da organização.
Ao longo da investigação, integrantes do esquema foram condenados pela Justiça Federal. Entre os casos já julgados estão processos envolvendo compradores de armas e militares paraguaios apontados como participantes da estrutura que facilitava a entrada dos armamentos no Paraguai.
A ação penal que envolve Dirisio, no entanto, continua em andamento na Justiça Federal da Bahia. Com a extradição, ele passa a responder às acusações em território brasileiro.
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