Polícia

Gerente suspeita de desviar R$ 2 milhões alega vício em ‘jogo do tigrinho’, depressão e burnout

Imagem Gerente suspeita de desviar R$ 2 milhões alega vício em ‘jogo do tigrinho’, depressão e burnout
Gerente e o companheiro, um dentista, foram presos preventivamente e são investigados por suspeita de desviar valores de clientes idosos e vulneráveis  |   Bnews - Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 30/09/2026, às 06h11



A ex-funcionária de um banco presa em Miguelópolis, no interior de São Paulo, sob suspeita de desviar cerca de R$ 2 milhões de contas de clientes, teria vício no “jogo do tigrinho”, segundo o advogado de defesa. Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, foi presa preventivamente na segunda-feira (28), junto com o companheiro, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, que também é investigado no caso.

Defesa cita depressão e burnout

Segundo o advogado Laudemiro Neto, Vanessa também possui laudos de depressão e síndrome de burnout, doença ligada ao esgotamento profissional. Ela trabalhava na agência havia 12 anos.

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Em conversa com o g1, o advogado classificou o suposto vício em jogos como ludopatia, termo usado para definir a dependência em jogos. Ele não informou desde quando Vanessa apresenta os problemas de saúde nem se ela realiza tratamento. O g1 não teve acesso aos atestados médicos citados pela defesa.

A defesa também destacou o período em que Vanessa trabalhou no banco:

"Ela tem 12 anos de banco, e somente depois de 10 anos que ocorreu esse problema? Durante 10 anos ela dedicou sua vida ao banco, ficou doente e veio passar por esses problemas."

O advogado afirmou ainda que não teve acesso ao processo e, por isso, não poderia se pronunciar sobre as denúncias.

Companheiro também está preso

Adilson passou por audiência de custódia nesta terça-feira (29), teve a prisão mantida e foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Franca.

À EPTV, a defesa do dentista afirmou que ele desconhece as acusações e não tem envolvimento com qualquer ilegalidade relacionada à investigação.

Os dois são investigados por furto mediante abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis. Segundo a Polícia Civil, há indícios de lavagem de dinheiro, com valores distribuídos em outras contas e em casas de jogos e apostas.

Polícia investiga desvios milionários

Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi aberto após vítimas registrarem boletins de ocorrência por não reconhecerem movimentações em suas próprias contas.

A investigação aponta que Vanessa, com mais de 12 anos de atuação na agência, teria usado a confiança dos correntistas para movimentar e sacar valores indevidamente. Ainda segundo a polícia, Adilson tinha livre trânsito na agência e teria retirado valores entregues por ela.

A movimentação investigada chega a R$ 2 milhões entre 2024 e 2026, segundo a polícia. O cálculo considera os prejuízos relatados pelas vítimas, que não haviam sido ressarcidas até terça-feira (29).

A decisão da Justiça que determinou as prisões descreve saques indevidos, empréstimos fraudulentos, transferências não autorizadas e resgates de aplicações sem o conhecimento dos titulares. Segundo o documento, as subtrações ultrapassam R$ 2,1 milhões.

Ainda de acordo com a investigação, o dinheiro era distribuído em outras contas e em casas de jogos e apostas. Os valores possivelmente eram ocultados nesses locais para depois retornar à economia formal com aparência de rendimentos legais.

A decisão judicial também informa que Vanessa foi demitida pelo banco, mas a movimentação dos valores ocultados não teria sido interrompida. Sobre Adilson, o documento aponta indícios de que ele recebia e ocultava o dinheiro em contas próprias e da empresa dele. Segundo a decisão, ele foi visto várias vezes saindo da agência com sacolas de dinheiro.

Idosa teve R$ 300 mil retirados da conta

Segundo a reportagem, uma aposentada, de 78 anos, é apontada pela família como uma das clientes lesadas. Segundo a sobrinha, cerca de R$ 300 mil foram retirados da conta dela no banco em Miguelópolis.

A família afirma que a idosa só descobriu que o saldo havia sido zerado depois de passar por um transplante de córnea. Ela também teria empréstimo que não reconhece e continua pagando parcelas descontadas da aposentadoria, ficando com cerca de R$ 1 mil por mês para se manter.

Banco diz que clientes não terão prejuízo

Em nota, o Santander afirmou que sua área de inteligência coopera com a Polícia Civil desde o início da investigação para apurar os fatos e responsabilizar os autores.

O banco também declarou que “nenhum cliente terá prejuízo financeiro” e afirmou possuir sistemas de prevenção a fraudes para identificar e coibir desvios de conduta.

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