Polícia
Publicado em 19/02/2025, às 16h27 - Atualizado às 16h47 Andrêzza Moura
No cerne de uma realidade marcada por desafios incessantes na segurança pública, a Polícia Militar da Bahia emerge como um bastião de coragem e altruísmo, protagonizando episódios de heroísmo que desafiam a própria vulnerabilidade humana. Atos de bravura foram notoriamente evidenciados em situações extremas, onde policiais, com destreza e inabalável determinação, se lançaram em operações arriscadas para salvar vidas.
Um desses heróis do cotidiano é o soldado Silas dos Santos Pinheiro. Em 2017, ele resgatou de um incêndio, no bairro Alto das Pombas, em Salvador, a idosa Izaílda Maria dos Santos, à época, com 64 anos. Era manhã do dia 17 de agosto daquele ano, quando o imóvel, onde a senhora e uma irmã moravam, na Rua Teixeira Mendes, antigo final de linha, pegou fogo. Uma vela teria caído do altar de oração de dona Izaílda e provocado as chamas.

Quando as labaredas tomaram conta do quarto da idosa, ela estava sozinha e não conseguiu sair porque não encontrou as chaves do portão. Foi neste momento de desespero, que o soldado Pinheiro apareceu e, sem pensar duas vezes, passou por uma fresta da grade, a quebrou e resgatou a senhora.
"Estava prestando serviço pela assistência militar da prefeitura. E alguns moradores vieram acionar os policiais que estavam no posto de saúde [Unidade de Saúde da Família], informando que uma casa em frente, cerca de 50 metros, estava ocorrendo um incêndio. Quando chegamos lá, identificamos uma senhora dentro da residência com o portão trancado. Quebramos a grade, retiramos a senhora e adentramos para tentar combater as chamas", contou Pinheiro, afimando que a ajuda de outros policiais, de vizinhos da idosa e de um bombeiro militar aposentado, foi crucial para que o resgate desse certo.
Questionado se, na hora do salvamento, havia agido apenas por instinto, o policial revelou que o sentimento foi importante na tomada da decisão, no entanto, a preparação técnica foi de suma importância para o resultado positivo. Pinheiro contou que, durante seus 15 anos de instituição, fez alguns cursos voltados para resgates de vítimas em locais confinados.

"Se eu aguardasse, talvez, o bombeiro [agentes do Corpo de Bombeiro Militar] não chegasse por questão de horário. Era de manhã cedo, trânsito ruim, o fogo poderia se propagar para outra residência também, né? Pensei rápido, já peguei o extintor logo, não tinha mais o que fazer, a chama já estava lá no segundo andar. E disse para mim mesmo: Vai ser agora. Coloquei em prática o meu aprendizado, pela primeira vez. A sensação de dever comprido, né? Que a gente vê quando entra e faz um juramento, mesmo com o risco da própria vida, né? Conseguir fazer isso aí", explicou o héroi Pinheiro.
Quem também entrou para o panteão de heróis da bicentenária Polícia Militar da Bahia foi o capitão Tiago Oliveira Rocha. Na noite do dia 16 de outrubro de 2023, ele reagiu a um assalto aos clientes do restaurante Liana, na Rua Macapá, em Ondina, também em Salvador. Ele conta que jantava com a esposa, por volta das 19h, quando três homens armados chegaram ao local, anunciaram o roubo e passaram de mesa em mesa pegando os pertences das vítimas.
O capitão, que está na PM há 20 anos, lembra que, neste momento, após ser abordado e um dos suspeitos perceber que ele estava armado, não teve muito o que fazer. E, em frações de segundos, precisou reagir para salvar a própria vida e das demais pessoas que estavam no estabelecimento. Na ação, Oliveira Rocha conseguiu balear e prender dois dos três assaltantes. O terceiro homem conseguiu fugir.

"O restaurante estava cheio, não tinha intenção de reagir, só entregar meu celular e ir embora. Quando um deles pegou meu celular, perguntou se eu estava armado, disse que não. Aí ele cemeçou a me revistar, aí sentiu o volume da arma na minha cintura. Quando afastei ele, gritou para o comparsa dizendo que eu estava armado. Quando o comparsa veio com a arma em punho, reagi. Atirei nos dois, eles correram para fora do restautrante fui atrás atirando", descreveu o policial, revelando que conseguiu recuperar os celulares das vítimas e um carro de um guarda municipal, que havia sido roubado momentos antes.
Também indagado se havia agido por instinto, o cabo afirmou que sim. Mas, assim como o soldado Pinheiro, disse que a técnica adquirida na academia foi fundamental para que ação tivesse êxito. "Graças a Deus, consegui sair vivo. Estava preparado, a instituição [Polícia Militar] nos proporciona esse treinamento constante. Posso dizer assim: Foi 99% Deus e 1% foi o treinamento que eu tive. Agi por instinto, posso dizer um instito técnico, dentro da doutrina de treinamento, esse é um tipo de resposta que é uma resposta sem pensar. Você primeiro faz, depois você raciocina. Isso é basicamente uma técnica instintiva. Não queria reagir, mas, naquele momento, não tinha mais opção. seria a minha vida e a vida das pessoas que estavam ali", explicou ele.
Em um mundo onde a bravura muitas vezes passa despercebida, o ato heróico do soldado Silas dos Santos Pinheiro e do capitão Tiago Oliveira Rocha se destaca como um exemplo inspirador de coragem e dedicação. Além de suas fardas, que simbolizam sua profissão, eles demonstraram que o amor em servir à população é o verdadeiro motor de suas ações. O reconhecimento por meio da Medalha Cruz de Bravura concedida a eles pela PM, em 2023 e 2024, respectivamente, não celebra apenas a valentia desses dois policiais, mas, sobretudo reforça a importância do compromisso com a segurança e o bem-estar da comunidade.
Esses heróis provam que, em meio aos desafios diários, ainda existem aqueles dispostos a arriscar suas vidas pelo próximo, mostrando que a verdadeira bravura vai além das palavras e se traduz em ações que impactam positivamente a sociedade. "Faria tudo outra vez. Faria mil vezes, se fosse necessário. Sempre foi minha vontade servir na Polícia Militar. Então, é gratificante fazer parte da instituição, é honroso. Deixei meu pé na história [da PM com o ato de bravura e recebimento da comenda]", findou soldado Pinheiro.

"Pra mim, eu sou representante, talvez, do que meus companheiros diariamente atuam. Pra mim, eles são heróis. Nós estamos numa sociedade, infelizmente, que muitas vezes não reconhece os nossos atos de bravura, não reconhece as dificuldades de nosso serviço. Se qualquer outra pessoa tivesse sentado naquele restaurante, ele não teria corrido o risco que corri por ser policial. E tá lá representando minha instituição, tentando salvar a sociedade. Eu tenho certeza que eles [colegas de farda] são heróis", concluiu o capitão.
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