Polícia
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 03/06/2026, às 19h10
A Defensoria Pública da União (DPU) emitiu um alerta para a população da Bahia sobre uma modalidade de golpe em que criminosos utilizam o nome da instituição e de defensores públicos federais para obter dados pessoais e extorquir dinheiro de cidadãos. Os estelionatários entram em contato com pessoas que possuem ações judiciais em andamento para afirmar que há valores a serem liberados, condicionando o recebimento a pagamentos prévios.
O caso mais recente foi registrado nesta semana, em Salvador. Uma idosa de 64 anos, que é assistida pela DPU, recebeu mensagens no WhatsApp de um homem que se identificava como defensor público federal.
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O golpista afirmou que o processo dela havia tido um resultado favorável e que ela precisaria participar de uma suposta audiência virtual para a liberação do dinheiro.
Para dar credibilidade à fraude, o criminoso utilizou termos jurídicos, enviou documentos falsificados e afirmou ter conseguido isenção de Imposto de Renda sobre o montante. Em seguida, ele orientou a idosa a aguardar o contato de um falso juiz e sugeriu que ela ficasse em um local privado para conversar, alegando razões de segurança.
Desconfiada da abordagem, a mulher compareceu à sede da DPU, no bairro da Pituba, na última terça-feira (2), onde confirmou a tentativa de estelionato.
A idosa em questão é acompanhada pela Defensoria em um processo contra a Caixa Econômica Federal. Ela acionou a Justiça após ser vítima de um golpe anterior que resultou na retirada ilegal de R$ 6,6 mil de sua conta bancária por meio de saques e transferências atípicas. A ação judicial segue em andamento.
De acordo com a DPU, as investidas criminosas não são isoladas e já foram registradas na unidade de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, além de outros estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Sergipe.
O avanço desse tipo de crime acendeu o alerta devido ao nível de sofisticação dos grupos envolvidos. Para dar aparência de legitimidade ao golpe, os estelionatários costumam utilizar nomes e fotos de defensores públicos reais e enviar documentos falsificados que imitam certidões, despachos judiciais e atos processuais. A estratégia também inclui o uso de informações processuais verdadeiras das vítimas para confecção das mensagens.
Após o primeiro contato, os criminosos solicitam cópias de documentos pessoais, dados bancários ou transferências financeiras sob a justificativa de quitação de custas processuais, tributos, taxas cartorárias ou honorários advocatícios. Todos os casos identificados pela instituição são encaminhados para investigação da Polícia Federal.
A DPU ressalta que todos os atendimentos e atos conduzidos pelo órgão são integralmente gratuitos em qualquer fase do processo, inclusive após o encerramento das ações e liberação de alvarás judiciais. A instituição reforça que não faz cobranças de honorários, taxas administrativas ou custas operacionais, e orienta os cidadãos a nunca realizarem depósitos, transferências bancárias ou pagamentos via Pix.
O defensor público federal André Porciúncula destaca que a proliferação de golpes digitais exige atenção redobrada dos usuários de serviços públicos.
"A cada dia, cresce o número de golpes digitais. É comum estelionatários usarem da engenharia social para obter dados e convencer as vítimas a assinarem documentos, tirarem fotos com documentos, selfies, ou realizarem pagamentos. A desconfiança hoje deve ser a regra", alertou o defensor.
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