Polícia
por Antonio Dilson Neto e Alex Torres
Publicado em 12/05/2026, às 13h58
A desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), defendeu o estreitamento de laços entre o Judiciário e as forças de segurança para combater o avanço das organizações criminosas no Brasil.
Durante a abertura do Encontro Nacional Renorcrim & Recupera, nesta terça-feira (12), no Senai Cimatec, em Salvador, a magistrada destacou que a única forma de fragilizar as facções é através da "desidratação" do caixa financeiro e do confisco de patrimônio.
O evento reúne mais de 300 profissionais da segurança pública e do sistema judiciário entre os dias 12 e 15 de maio para discutir estratégias de enfrentamento às organizações criminosas, combate à lavagem de dinheiro e recuperação de ativos.
Com experiência no enfrentamento a grupos criminosos em São Paulo, Ivana David ressaltou que o crime organizado evoluiu de dentro dos presídios para uma estrutura transnacional presente em 25 estados. Para ela, o embate não deve ser apenas físico, mas focado na inteligência financeira.
“As pessoas não imaginam que a única forma de você fragilizar é tirando o dinheiro do crime organizado. Desidratar o crime, fazer com que ele tenha menos dinheiro, é o que faz a diferença para que o Estado tome a frente nessa guerra.”
A magistrada pontuou que a Bahia ocupa uma posição geográfica nevrálgica, o que a torna alvo prioritário do narcotráfico. "Politicamente está no coração do país, tem oito fronteiras estaduais e tem mar. O narcotráfico gosta do mar porque é através do porto que a droga escoa", explicou, reforçando a necessidade de uma atuação coordenada entre juízes, promotores e delegados.
Ivana também detalhou como o Poder Judiciário tem papel decisivo desde o início das investigações, ao autorizar quebras de sigilo e buscas. Ela destacou que a legislação atual permite que o juiz paralise atividades de empresas envolvidas em lavagem de dinheiro e determine o sequestro imediato de bens.
O crime hoje está tão estruturado que mistura dinheiro ilícito e o juiz muitas vezes não consegue identificar. A lei permite que o juiz apreenda tudo e o proprietário comprove o que é lícito. Esse dinheiro apreendido deve ser destinado para que a segurança tenha investimento e capacitação".
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