Polícia
por Redação BNews, com informaões de Rafaela Kalil
Publicado em 25/08/2026, às 10h02
O jovem Lucas dos Reis Bomfim, de 19 anos, morto durante um dos ataques promovidos por torcidas organizadas no domingo (23), em Salvador, horas antes do clássico entre Bahia e Vitória, é sepultado nesta terça-feira (25), no Cemitério Bosque da Paz.
Familiares e amigos de Lucas fizeram um apelo nas redes sociais para que as pessoas que comparecessem ao sepultamento não utilizassem vestimenta de torcidas organizadas.
"Um pedido da família: no sepultamento de Lucas, não queremos ninguém com camisa de organizada. Por gentileza, respeitem nossa decisão", escreveu Ueslei Reis, padrinho de Lucas.
Lucas foi morto a tiros no bairro de Castelo Branco, em Salvador, momentos antes do clássico Ba-Vi, realizado no estádio do Barradão.
Segundo o padrinho da vítima, no sábado (22), véspera do jogo, ele havia combinado com Lucas que assistiriam à partida juntos. No entanto, o jovem teria recebido uma mensagem de um suposto amigo convidando-o para comer um feijão em uma das sedes da torcida organizada do Bahia, no bairro onde foi morto.
Ainda de acordo com o relato, Lucas foi convidado a acompanhar a movimentação das torcidas na Via Regional, local onde o torcedor José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, também foi assassinado no mesmo dia.
"Ele foi até o final de linha de Castelo Branco, acompanhado de outros dois jovens, para ver a movimentação da confusão que estava acontecendo na Regional. Foi quando acabou atingido por um disparo. A gente não sabe de onde saiu esse tiro", relatou Ueslei à TV Bahia.
O familiar também contou que chegou a aconselhar o afilhado a não se envolver com torcidas organizadas. Segundo ele, antes de se tornar torcedor do Bahia, Lucas o acompanhava para assistir aos jogos do Vitória.
"Avisei tanto a ele que esse negócio de torcida não dava futuro nenhum. O que restou foi a dor da família. Amanhã os (amigos) vão seguir a vida normal. Sabe o que é engraçado? Lucas era Vitória, íamos para o estádio juntos torcer pelo nosso time, sem essa loucura de torcida, mas ele era muito influenciado. O melhor amigo dele era da Bamor e começou a influenciá-lo a mudar de lado. Não estou dizendo que Lucas era um bebê, ele já era de maior e sabia das suas escolhas. Encontrei o corpo do meu filho estirado no chão, morto. Não tinha um (amigo) perto", afirmou.
Os detidos são suspeitos de envolvimento na morte de José Alexandre, assassinado com arma branca na Avenida 29 de Março, e por ferir outras quatro pessoas. Eles foram identificados como Guilherme Maia da Luz, Neithan Oliveira dos Santos, Marcus Vinicius Costa Magalhães, Sérgio Gabriel Reis dos Santos, Tiago Franco Barbosa Lima Silva e Caíque Santos Chaves.
Eles foram autuados pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto, conforme previsto no Estatuto do Torcedor.
Os dois casos são investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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