Polícia

Médico ortopedista preso por abusar de paciente já tinha cometido o mesmo crime em UPA de Salvador; MP pede prisão preventiva após novo caso

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Ministério Público aponta prática semelhante em 2021 e pede prisão preventiva de médico de 49 anos após novo caso de importunação sexual contra paciente de 18 anos em unidade de saúde de Salvador  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 09/07/2026, às 11h39 - Atualizado às 11h40



O médico ortopedista Alexandre El-Sarli Dias, de 49 anos, preso em flagrante por importunação sexual contra uma paciente, de 18 anos, em Salvador, já havia sido alvo de uma denúncia semelhante em 2021, segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Nesta quinta-feira (9), ele passou por audiência de custódia. O MP pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva, alegando gravidade do caso e risco de repetir o crime.

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MP aponta repetição de crime
Obtido pelo BNEWS, o parecer do Ministério Público, assinado pela promotora de Justiça Flávia Cerqueira Sampaio, destaca que o crime ocorreu em um contexto de vulnerabilidade da vítima. No documento, a promotora afirma que “a gravidade concreta do crime, as circunstâncias concretas do fato praticado com abuso de confiança na relação médico paciente revelam o periculum libertatis do agente”.

Outro ponto central é a existência de um registro anterior com características semelhantes. Para o MP, “o Boletim de Ocorrência de outra vítima, ainda que não tenha existido prosseguimento, indica reiteração delitiva com idêntico modus operandi”.

O órgão também defende que a prisão preventiva é necessária para evitar novos casos. “Visa a prisão preventiva, portanto, acautelar o meio social, figurando a prisão preventiva como medida, ainda que indesejada, necessária para a garantia da ordem pública e paz social”, diz o parecer. Segundo o Ministério Público, medidas cautelares alternativas não seriam suficientes.

Caso de 2021 reforça pedido de prisão
O Boletim de Ocorrência registrado em 23 de novembro de 2021, citado no parecer, descreve um episódio envolvendo o mesmo médico durante atendimento ortopédico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) dos Barris.

Na ocasião, a vítima relatou que foi orientada a retirar a roupa para exame da coluna. Segundo o registro, o médico teria passado a mão nas nádegas e vagina da paciente e, após um exame de raio-X, teria baixado a blusa e o sutiã dela para apalpar os seios.

Embora não tenha ocorrido prosseguimento criminal naquele caso, o Ministério Público afirma que o registro foi reforçado pela autoridade policial como indicativo de risco de reiteração delitiva.

Prisão ocorreu após denúncia de paciente em Pirajá
O caso mais recente aconteceu na noite de terça-feira (7), na Unidade de Emergência de Pirajá, em Salvador. O médico foi preso em flagrante após ser acusado por uma paciente, de 18 anos, de praticar ato de cunho sexual durante atendimento.

Segundo a Polícia Militar da Bahia (PMBA), acionada pelo Centro Integrado de Comunicações (CICOM), a vítima relatou que, durante o exame, o médico pediu que ela abaixasse as vestes e se curvasse. Em seguida, teria puxado o quadril dela pela cintura, momento em que ela sentiu as partes íntimas do profissional encostarem em seu corpo. Após isso, a paciente interrompeu o atendimento.

O médico negou a acusação. Em depoimento, afirmou que seria impossível a situação ter ocorrido e disse que o consultório estava com a porta fechada, mas destrancada, sem outras pessoas no local.

Condução e investigação
Após a denúncia, policiais militares conduziram a vítima e o suspeito à Central de Flagrantes (Cenflag), à Casa da Mulher Brasileira e, posteriormente, à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), onde o caso foi formalizado.

De acordo com a Polícia Civil, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam/Periperi) registrou a prisão em flagrante de um homem, de 49 anos, pelo crime de importunação sexual. Após a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante (APF), ele permaneceu custodiado à disposição da Justiça.

Sesab acompanha o caso
Em nota enviada ao BNews, a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) informou que a diretoria da Unidade de Emergência de Pirajá acompanha o caso e aguarda os desdobramentos das investigações.

O órgão afirmou ainda que adotará as providências administrativas cabíveis, respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. A pasta também declarou que não compactua com condutas que violem a ética e a dignidade de pacientes e profissionais.

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