Polícia
Poucos crimes registrados em Salvador provocaram tamanha comoção quanto a morte de Leonardo Mesquita Carvalho, de apenas 4 anos. O assassinato aconteceu na manhã de 20 de janeiro de 1997, dentro de uma residência no Condomínio Stella Maris, um dos mais tradicionais da capital baiana, e atravessou décadas como uma das ocorrências mais brutais da história policial do estado.
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Leonardo estava em casa enquanto os pais, os advogados José Marcos de Souza Carvalho e Rosa Maria Ribeiro de Mesquita, trabalhavam. Na residência permaneciam ainda a irmã mais velha do menino, uma tia grávida e a babá da criança, Marineide Bastos Nascimento, então com 20 anos e considerada uma pessoa próxima à família.
Segundo a investigação policial, o garoto assistia televisão no sofá e comia biscoitos quando foi atacado. Presa poucas horas depois, Marineide confessou o crime e descreveu em depoimento, com detalhes, a sequência do assassinato.
A perícia apontou que o homicídio havia sido planejado. Antes do ataque, os fios do telefone da casa foram cortados e a energia elétrica desligada. A faca utilizada no crime, de acordo com a investigação, havia sido afiada dias antes. Marcas de sangue pela residência e o laudo do Departamento de Polícia Técnica indicaram que Leonardo ainda tentou se defender.
O menino sofreu múltiplos ferimentos, inclusive uma lesão na mão ao tentar conter a lâmina. A cena foi descoberta após a tia da criança acordar com os gritos e sair desesperada pelo condomínio pedindo ajuda.
Nas primeiras horas após a prisão, Marineide apresentou diferentes versões para o crime. Em um primeiro momento, afirmou que pretendia atingir o patrão e teria descontado a raiva na criança. Depois, passou a relatar supostos conflitos dentro da casa e insinuou um envolvimento afetivo com José Marcos.
As declarações contraditórias ampliaram a repercussão do caso e abriram espaço para diferentes interpretações sobre a motivação do assassinato. Durante os interrogatórios, investigadores relataram sinais de desorientação e alterações no comportamento da jovem, hipótese que ganhou força ao longo do inquérito.
A morte do menino provocou forte comoção em Salvador. O enterro, no Cemitério Campo Santo, reuniu familiares, amigos e pessoas próximas ao casal. O caso dominou o debate público nos dias seguintes e gerou indignação diante da violência do assassinato.
A repercussão aumentou ainda mais quando os pais de Leonardo adotaram uma postura inesperada e decidiram perdoar a babá. À época, afirmaram acreditar que Marineide enfrentava problemas psiquiátricos e que ela havia convivido com a família durante dois anos tratando o menino com carinho.
O inquérito policial foi concluído como homicídio qualificado por motivo torpe e com extrema crueldade. Exames psiquiátricos realizados durante o processo, porém, apontaram transtornos mentais graves. Marineide foi considerada inimputável pela Justiça e encaminhada ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, onde permaneceu internada sob acompanhamento médico.
Anos depois, uma reportagem do jornal Correito revelou que ela apresentava quadro de paranoia delirante e poderia retornar ao convívio familiar sob acompanhamento periódico. Desde então, não houve novas informações públicas sobre o caso.
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