Polícia
Publicado em 18/07/2024, às 22h59 Victória Valentina
Uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público estadual (MP-BA) apontou, por meio de mensagens de texto interceptadas, a participação do capitão da Polícia Militar da Bahia, Mauro das Neves Grunfeld, em um esquema de compra e venda de armas para facções criminosas. Ele recebeu liberdade provisória na noite de quarta-feira (17), após decisão do juiz Eduardo Ferreira Padilha, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Juazeiro.
Conforme informações da TV Bahia, o capitão fazia parte de um grupo criminoso que comprava e vendia armas para facções espalhadas pelo estado, mas boa parte delas iam para criminosos faccionados no bairro do Calabar, em Salvador. Além de Grunfeld, outros oito PMs e um ex-PM estão envolvidos.
Mensagens interceptadas mostram conversas de 2023 do capitão com o PM Gleybson Calado do Nascimento, um dos envolivos no esquema. Em um dos conteúdos, Mauro pede para que Gleybson envie uma chave Pix e o valor de uma mercadoria.
Já em 29 de setembro do ano passado, Grunfeld se mostrou vendedor de materiais. "Apareceu pedido de 5 cartelas de 7.65", enviou ele, se referindo ao tipo de cartucho para uma pistola. Em 1º de outubro do mesmo ano, Gleybson oferece um revólver ao capitão por R$ 4,5 mil.
A TV Bahia também teve acesso a um documento sigiloso que mostra que o capitão transferiu mais de R$ 67 mil para Gleybson de 18 de fevereiro de 2021 a 13 de fevereiro de 2022.
Liberdade provisória
Mauro das Neves Grunfeld foi alvo da Operação Fogo Amigo, deflagrada pela Polícia Federal em maio. A ação aconteceu nas cidades baianas de Salvador, Santo Antônio de Jesus, Porto Seguro, Juazeiro, além de Petrolina, no estado de Pernambuco, e em Arapiraca, no estado de Alagoas. Ao todo, 19 pessoas foram presas, dentre elas 10 militares.
Ele foi alvo de mandados de prisão preventiva e busca e apreensão — na Academia da Polícia Militar, na Boa Viagem, e na residência dele, no bairro da Graça, ambos endereços em Salvador. Os agentes, porém, só encontraram uma pistola sem o devido registro na casa e realizaram a prisão em flagrante.
Nesta quarta-feira (17), o juiz Eduardo Ferreira Padilha, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Juazeiro, concedeu liberdade provisória ao militar. Segundo Padilha, Grunfeld não desempenhava um papel de liderança na suposta organização criminosa investigada. Em razão disso e da ausência de antecedentes criminais, Mauro poderia responder ao processo em liberdade.
Para o Ministério Público, que manifestou-se contra a solicitação, as circunstâncias que justificaram a prisão preventiva continuavam inalteradas. Na decisão, o juiz destacou que a prisão preventiva deve ser uma medida excepcional, aplicável apenas quando houver evidências concretas de perigo à ordem pública ou à instrução processual. Ele também citou um precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que permitiu que a prisão preventiva fosse substituída por medidas cautelares diversas para réus sem papel de destaque em facções criminosas.
Mauro terá que comparecer a todos os atos processuais e não poderá alterar seu endereço sem informar à Justiça com antecedência. Além disso, ele também não deve se ausentar da comarca de sua residência sem autorização e precisa evitar contato com pessoas relacionadas aos fatos investigados. Em caso de não cumprimento das medidas, uma nova prisão preventiva será decretada.
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