Polícia
por Tiago Di Araújo
Publicado em 09/04/2026, às 09h18 - Atualizado em 14/04/2026, às 13h41
Uma megaoperação da Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal colocou na mira um esquema bilionário de comércio ilegal que usava grandes plataformas digitais para funcionar. Batizada de Operação Platinum, a ação foi deflagrada nesta quarta-feira (8) e mira uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2024.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava marketplaces como Mercado Livre, Shopee e Magazine Luiza para vender mercadorias de origem ilegal, criando uma aparência de comércio regular. Entre os itens ofertados estavam celulares, eletrônicos, perfumes e insumos diversos.

As apurações apontam que os produtos eram trazidos do Paraguai de forma irregular e distribuídos no Brasil por meio de uma estrutura complexa, com empresas de fachada e uso de “laranjas”. Esse modelo permitia organizar desde a importação até a venda em larga escala nas plataformas online.
Entre os produtos identificados estão celulares de marcas como Xiaomi, Apple e Samsung, além de discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos Starlink, aparelhos de ar-condicionado portáteis e tintas para impressoras. Só em uma das plataformas, as vendas teriam ultrapassado R$ 300 milhões no período investigado.
A investigação teve início em agosto de 2022, após a apreensão de mercadorias transportadas em comboio por três veículos. A partir daí, os órgãos identificaram uma estrutura criminosa com atuação interestadual e até internacional, dividida em núcleos responsáveis por transporte, compras no exterior e comercialização dos produtos.

Segundo a Receita Federal, o grupo também utilizava empresas criadas exclusivamente para emitir notas fiscais falsas, com o objetivo de dar aparência legal às vendas. Além disso, mais de dez pessoas foram identificadas como “laranjas”, usadas para movimentação financeira e abertura de empresas.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a atuação de integrantes nas redes sociais, onde se apresentavam como especialistas em e-commerce e importação, oferecendo cursos e mentorias — estratégia que ajudava a sustentar a fachada de legalidade do esquema.
Ao todo, a operação cumpre 32 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva nos estados do Paraná, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. A ação mobiliza mais de 150 agentes públicos, entre auditores fiscais e policiais federais.
As autoridades destacam que o objetivo é desarticular toda a cadeia criminosa, que envolve contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, além de interromper o uso indevido de plataformas digitais para práticas ilegais em larga escala.
O que é marketplace?
Basicamente trata-se de uma plataforma online para conectar vendedores e compradores em um mesmo ambiente digital, uma espécie de "shopping virtual". Ou seja, ao invés de uma única loja vender produtos, vários vendedores diferentes anunciam seus itens dentro do mesmo site ou aplicativo.
No Brasil, empresas conhecidas dominam o mercado de marketplace, incluindo Mercado Livre, Shoppe e Magalu, que tiveram as plataformas utilizadas no esquema investigado. Além das citadas, outros nomes também são bastante conhecidos pelos internautas, como OLX e Amazon, entre outras.
Na prática, funciona da seguinte forma:
Classificação Indicativa: Livre
Tiago Di Araújo
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