Polícia
O ex-deputado federal Chiquinho Brazão, condenado como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, voltou a ser alvo da Polícia Federal (PF). Na manhã desta quinta-feira (9), agentes deflagraram a Operação Emendatio para investigar um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares federais destinadas a organizações da sociedade civil (OSCs) no estado do Rio de Janeiro.
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A investigação é um desdobramento das apurações relacionadas ao caso Marielle. Segundo a PF, foram identificados indícios de irregularidades na destinação de verbas públicas por meio de entidades sem fins lucrativos que mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal.
Ao todo, cerca de 60 policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.
PRESO NO CASO MARIELLE | PF faz operação para apurar desvios em emendas para ONGs do Rio por Chiquinho Brazão; Moraes determinou bloqueio de bens avaliados em R$ 100 milhões > https://t.co/h7uvnWdW6K pic.twitter.com/O5WJRs9N7t
— Estadão 🗞️ (@Estadao) July 9, 2026
Um dos mandados de prisão foi cumprido contra Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor de Domingos Brazão, preso em sua residência, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O outro teve como alvo Robson Calixto Fonseca, conhecido como "Peixe", também condenado pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes e que já está preso.
De acordo com a Polícia Federal, parte dos recursos oriundos de emendas parlamentares teria sido desviada por meio de pagamentos irregulares, uso de empresas de fachada e mecanismos para ocultar a origem e o destino do dinheiro. Os investigadores também apuram indícios de superfaturamento, conluio entre empresas participantes de processos de cotação e execução parcial ou inexistente de contratos firmados com as OSCs investigadas.
Os envolvidos poderão responder por crimes como peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros delitos que forem identificados ao longo das investigações.
Condenação no caso Marielle
Chiquinho Brazão foi vereador do Rio de Janeiro por 12 anos e exerceu mandato ao lado de Marielle Franco entre 2016 e março de 2018, quando a parlamentar foi assassinada. O ex-deputado passou a ser investigado após ser citado na delação premiada de Ronnie Lessa, executor confesso do crime, o que levou o processo ao STF devido ao foro privilegiado que possuía na época.
Neste ano, Chiquinho Brazão e seu irmão, Domingos Brazão, foram condenados como mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Cada um recebeu pena de 76 anos e 3 meses de prisão, além da condenação ao pagamento de indenizações às famílias das vítimas e do bloqueio de bens.
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