Polícia
No Domingo 4 maio, cerca de 15 mulheres e seus filhos ocuparam o antigo prédio da Escola de Engenharia Eletromecânica da Bahia (EEEMBA), localizado no bairro de Nazaré, em Salvador. A iniciativa foi liderada pelo grupo Ocupação Mulher Guerreira, conhecida por carregar uma bandeira azul com a imagem do mestre de capoeira Noronha — símbolo de resistência para o grupo — que decidiu se instalar no imóvel após sucessivas ocorrências de vandalismo e furtos — situação que já havia sido denunciada anteriormente pela comunidade.
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A fundadora do grupo, Marimar Coutinho, atua há mais de 15 anos na luta por moradia digna para mulheres em situação de vulnerabilidade. Com passagem por diversos imóveis desocupados entre o Pelourinho e o Barbalho, ela destaca a urgência da ocupação
“Soubemos que isso aqui estava fechado, servindo como um lugar de vandalismo e porcaria. Então a gente veio dar vida, vida para quem precisa. As mulheres que estão aqui precisam dessa moradia. Muitas delas tem mais de 5 filhos e não têm maridos”
Tendo em vista que as ocupantes estariam acompanhadas de muitas crianças, o BNews manteve contato com o Conselho Tutelar em Barroquinha, responsável pelo monitoramento da região. O órgão tem o objetivo de garantir e proteger os direitos de crianças e adolescente.
“Em tempo informo que não recebemos denúncia referente ao caso em tela.” esclareceu o Colegiado do Conselho Tutelar II Barroquinha
O prédio, desativado desde 2020 com o início da pandemia de Covid-19, segue sem destino definido. Moradores da região e antigos funcionários relatam tentativas frustradas de contato com os antigos responsáveis pela escola. Hoje, o que foi um importante centro de formação técnica se tornou símbolo do abandono: salas depredadas, equipamentos saqueados e estruturas comprometidas.
João Mineiro, morador da área e apoiador da ação, relata o clima de insegurança que pairava sobre o imóvel.
“Minha esposa não passa aqui de noite. Voltar para casa depois da faculdade também tem sido um problema para meu filho. Então por que não fazer uso desse local para evitar esse vandalismo que está acontecendo aqui?”
No imóvel, é possível notar os sinais do abandono como móveis e documentos revirados, equipamentos furtados dos banheiros e restos de estruturas metálicas largadas em antigas salas de aula. Moradores relatam que já presenciaram uma série de episódios violentos, que vão desde portões arrombados até incêndios provocados no prédio.
De acordo com um morador da localidade que não quis se identificar, o grupo aguarda um posicionamento da Prefeitura Municipal.
“Eles invadiram, tem uns três ou quatro dias que invadiram aqui. Muitas pessoas, famílias, com crianças, idosos. Antes disso estava havendo vendo saques. Invadiram roubaram tudo que podiam lá dentro. Dizem que vão morar aí até que a prefeitura dê uma moradia para eles. Passam o dia todo queimando coisa lá, para fazer comida e aí a madrugada também é muita fumaça. A gente não pode reclamar porque alguns deles são até um pouco intimidadores.” Informou o morador.
O BNews manteve contato com a Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (SEMPRE) para apurar a situação, a secretaria esclareceu:
“A Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (SEMPRE) informa que não foi comunicada sobre a existência de tal ocupação. Informamos, ainda, que nossos servidores não fizeram nenhum tipo de cadastramento de dados no local.”
O mesmo morador, informou que a localidade se encontra em um clima de insegurança e medo. Segundo ele, os ocupantes – que não se limitam apenas a mulheres, mas também a homens que fazem a “vigilância” da escola - são intimidadores. Afirmou também que a rua se encontra em situação de abandono, visto que um poste teria sido quebrado e muito lixo teria sido espalhado pelo local. Ele também informou que a Polícia Militar foi acionada.
“A gente ligou para Polícia Militar só que eles falaram que não poderiam entrar ali porque se tratava de um condomínio particular. Ele só podia ficar ali da porta para fora e queria iriam mandar rondas policiais de vez em quando. Tem passado bem pouquíssimas vezes.” Disse o morador da localidade.
O BNews também entrou em contato com a Polícia Militar para obter esclarecimentos sobre o ocorrido, incluindo informações sobre as medidas que estão sendo tomadas e o posicionamento oficial da corporação. A redação aguarda retorno para atualizar o caso assim que houver resposta.
Confira o vídeo enviado que mostra a situação atual da Escola:
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