Polícia
O personal trainer Maurício Brasil, alvo de investigação por importunação sexual, usou as redes sociais, nesta quinta-feira (11), para se pronunciar sobre o caso. Em publicação no Instagram, ele afirmou ter prestado todos os esclarecimentos às autoridades competentes.
“Hoje prestei todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com total transparência e respeito ao processo legal. Confio plenamente no trabalho da Justiça e sigo à disposição para tudo o que for preciso, sempre com serenidade, responsabilidade e consciência da minha conduta ética e profissional”, escreveu.
Na mesma postagem, Maurício agradeceu o apoio que vem recebendo. “Agradeço a todos que têm demonstrado apoio neste momento. Seguimos firmes, com foco na verdade e na resolução justa dos fatos”, completou.
A publicação foi acompanhada de uma “nota de esclarecimento”, assinada pela defesa do personal. O texto informa que, no dia 10 de dezembro, foram entregues documentos e respondidos todos os questionamentos feitos pela autoridade responsável pelo inquérito. A defesa destacou compromisso com a transparência, colaboração com as investigações e reafirmou confiança na Justiça, ressaltando o princípio da presunção de inocência. A Polícia Civil da Bahia segue investigando.
O CASO
As denúncias contra o personal trainer Maurício Brasil vieram a público quando a enfermeira Maria Emília Barbosa afirmou ter sido vítima de importunação sexual durante uma avaliação física.
Após o relato, mais de 40 mulheres disseram ter vivido situações semelhantes com o profissional, o que levou a Polícia Civil da Bahia a abrir um inquérito para investigar os casos.
Em entrevista à TV Bahia, a enfermeira relatou que recebeu mensagens da família do investigado após tornar o caso público. “A mãe dele entrou em contato comigo pedindo para que eu não falasse sobre ele no meio digital, porque a irmã trabalha com isso e citou até que o pai dele é do órgão judiciário”, afirmou.
Segundo a vítima, a irmã do profissional também teria enviado mensagens ofensivas pelas redes sociais, chamando-a de mentirosa. A denúncia foi registrada uma semana após o episódio, e a vítima contou que ainda não foi ouvida pela Polícia Civil.
Nas redes sociais, a vítima relatou que a primeira consulta aconteceu em 31 de janeiro, quando, segundo a enfermeira, o profissional exigiu que a avaliação física fosse feita de biquíni, alegando ser a única forma adequada de fazer o procedimento.
Maria afirmou, que durante o atendimento, foi submetida a poses e procedimentos que a deixaram desconfortável, incluindo uma suposta liberação miofacial com aproximação excessiva das partes íntimas. “Eu estava extremamente desconfortável, mas pensei que fizesse parte do exame. Ele chegava muito perto, sem tocar, e eu permaneci paralisada, tentando agir naturalmente”.
Ao longo dos 30 dias seguintes, ela disse que seguiu o plano de treinos e retornou para a nova avaliação. Desta vez, recusou o uso de biquíni e optou por roupa de academia, mas disse que o personal insistiu, afirmando ser impossível realizar o procedimento corretamente sem o traje indicado.
De acordo Maria, o comportamento dele foi ainda mais invasivo. Ela contou que o homem chegou a "lateralizar" sua peça íntima e fez movimentos de conotação sexual. “Eu dei um tapa na mão dele e pedi para parar. Foi quando ele pegou minha mão, colocou no órgão genital dele e disse: ‘Veja só como eu fico com você’”, afirmou.
Maria relatou também que deixou o local imediatamente. Após falar sobre o caso com pessoas próximas, ela descobriu que outras mulheres já haviam vivido situações semelhantes com ele. A enfermeira procurou apoio jurídico e prestou um boletim de ocorrência em março deste ano.
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