Polícia

Pessoas negras representam mais de 93% das mortes por intervenção policial na Bahia, aponta estudo

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O levantamento "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, foi divulgado nesta quarta-feira (1º)  |   Bnews - Divulgação Foto: Ilustrativa / Pexels
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 01/07/2026, às 09h51



Um estudo, divulgado nesta quarta-feira (1º), demonstrou que 93% das mortes por intervenção policial na Bahia tiveram como alvo pessoas negras. O estudo foi realizado pela Rede de Observatórios da Segurança: “Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias".

De acordo com os números levantados na sétima edição do estudo, que é anual, o total de mortos por intervenção policial na Bahia no último ano chegou a 1.243 pessoas. Deste total, 1.043 tinham idade entre 18 e 29 anos, enquanto 152 tinham entre 12 e 17 anos, e 280 estavam entre 30 e 39 anos.

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Outro dado importante observado pela pesquisa se refere à concentração da incidência dessas mortes. Conforme apontou o levantamento, entre os 417 municípios baianos, apenas 12 acumulam metade das vítimas em 2025.

O estudo também apresenta a diferença na proporção de mortes entre a população negra e branca. Segundo os pesquisadores, na média dos estados monitorados, pessoas negras sofrem quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. Ainda segundo o estudo, este é o quinto ano consecutivo que a Bahia contabiliza mais de mil mortos por intervenção policial.

A Rede de Observatórios é uma iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), que se dedica a acompanhar políticas públicas de segurança, fenômenos de violência e criminalidade em nove estados, incluindo a Bahia.

Falta de políticas públicas e disputa de facções

Para os pesquisadores, não é possível dissociar a realidade apresentada no levantamento e a herança do período de escravidão no Brasil. Para eles, após a abolição, em 13 de maio de 1888, o Estado brasileiro não promoveu políticas de inclusão da população negra. Isso teria causado uma intensa desigualdade social e levado essa população às periferias das cidades.

Outro ponto relevante para análise do cenário é a disputa de facções por território, o que intensifica letalidade policial. Estima-se que mais de 20 facções criminosas atuam na Bahia e disputam por áreas em todo o estado.

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