Polícia

PF bloqueia R$ 400 milhões e mira servidores em esquema que poderia causar rombo de R$ 10 bilhões de benefício social

Divulgação / PF
Operação no Maranhão investiga suposto esquema para fraudar o Seguro-Defeso; prejuízo aos cofres públicos poderia chegar a R$ 10 bilhões em cinco anos  |   Bnews - Divulgação Divulgação / PF
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 28/10/2026, às 08h41



Uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de fraude no pagamento do Seguro-Defeso chegou a uma cifra bilionária e provocou uma ofensiva judicial no Maranhão. Nesta quarta-feira (28), a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 400 milhões em bens e valores de investigados, enquanto dois servidores públicos foram afastados cautelarmente de suas funções.

Batizada de Operação Indefeso, a ação foi deflagrada pela PF com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) para desarticular uma organização criminosa suspeita de manipular a concessão do benefício destinado a pescadores artesanais durante o período em que a pesca é legalmente interrompida.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Segundo a Polícia Federal, os indícios reunidos apontam que o esquema poderia provocar um prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos. O valor representa uma estimativa do dano potencial, e não a confirmação de que toda essa quantia tenha sido efetivamente desviada.

Operação mobiliza 160 policiais em 16 municípios

A ofensiva mobilizou cerca de 160 policiais federais e cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em 16 municípios maranhenses. Além do afastamento dos dois servidores investigados, a Justiça impôs 17 medidas cautelares diversas da prisão.

O bloqueio patrimonial de R$ 400 milhões tem como objetivo, segundo a PF, garantir eventual ressarcimento dos danos ao erário e impedir a ocultação ou a dissipação de recursos que possam estar relacionados às atividades investigadas.

Durante as buscas, os agentes apreenderam veículos de alto valor, armas, documentos e telefones celulares. O material deverá ser analisado no decorrer das investigações.

Como funcionaria a suposta fraude no Seguro-Defeso

De acordo com a Polícia Federal, o esquema investigado envolveria a concessão indevida do Seguro-Defeso por meio da inserção de informações falsas em sistemas governamentais e do uso de documentos fraudulentos.

A apuração também considera a possível participação de agentes públicos e particulares na estrutura investigada. O benefício é destinado a pescadores artesanais que ficam impedidos de exercer a atividade durante períodos definidos por lei para proteger a reprodução das espécies.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistema informatizado da Administração Pública, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam, com a análise dos materiais apreendidos e novas diligências para identificar outros possíveis envolvidos, dimensionar a atuação do grupo e calcular com precisão eventuais prejuízos aos cofres públicos.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)