Polícia
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 18/03/2026, às 17h59
Dois pilotos foram denunciados pelo Ministério Público por suspeita de integrar o “núcleo aéreo” do PCC, responsável pelo transporte de grandes cargas de cocaína em voos dentro e fora do Brasil.
Segundo a acusação, divulgada pelo Estadão, o comandante Thiago Almeida Denz e o copiloto Renan Machado Melo operavam rotas que ligavam o Norte do país ao interior de São Paulo e até destinos internacionais. O pagamento chamava atenção: cerca de R$ 750 mil por voo doméstico para cada piloto. Em trajetos internacionais, a remuneração variava conforme a quantidade de droga transportada.
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Uma das operações investigadas aponta o envio de mais de 500 quilos de cocaína entre Boa Vista e Campinas.
As investigações indicam que o esquema contava com apoio de empresários, responsáveis pelo financiamento, logística e contratação direta dos pilotos, que, segundo o Ministério Público, tinham conhecimento da carga ilícita.
Para o transporte, era utilizado um jato executivo Dassault Falcon 50, adaptado com compartimentos ocultos. A aeronave teria sido usada em rotas nacionais e internacionais, incluindo voos rumo à Europa.
O caso também aparece na Operação Mafiusi, que apura a ligação entre o PCC e a máfia italiana ’Ndrangheta. Em uma das viagens, o avião teria saído do interior paulista com destino às Ilhas Canárias e à Bélgica carregado com drogas.
Para evitar suspeitas, o grupo usava estratégias como inclusão de passageiros e estruturas adaptadas para esconder a movimentação da carga, inclusive em hangares com barreiras visuais.
As defesas dos pilotos negam as acusações e afirmam que a denúncia se baseia em relatos de corréus. Também sustentam que os profissionais não têm responsabilidade direta sobre o conteúdo transportado.
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