Polícia

PMs acusados de obrigar jovem a beber lança-perfume em 2008 seguem soltos e receberam promoção

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Marcos Paulo Lopes de Souza, de 18 anos, morreu após ter sido obrigado a beber lança-perfurme; amigo sobreviveu  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Facebook

Publicado em 06/12/2024, às 07h45   Victória Valentina



Em 2008, o jovem Marcos Paulo Lopes de Souza, de 18 anos, morreu após ter sido obrigado por policiais militares a beber lança-perfume, em São Paulo. Seis agentes foram condenados pelo crime, porém nenhum chegou a ser preso e todos foram promovidos. As informações são do UOL.

Os PMs receberam penas entre 14 e 18 anos de prisão por obrigarem dois jovens a beberem tricloroetileno, um material usado na fabricação de solventes. Somente Paulo morreu. 

Os militares Rafael Vieira Júnior, Edmar Luiz da Silva Marte, Jorge Pereira dos Santos, Carlos Dias Malheiro, Rogério Monteiro da Silva e Cláudio Bonifazi Neto foram condenados à prisão e perda dos cargos e receberam penas por homicídio qualificado e constrangimento legal. Mesmo assim, 16 anos após o crime, eles seguem soltos e trabalhando.

De acordo com o UOL, em 2015, quando foram ao júri em primeira instância, os seis acusados receberam penas de reclusão, todas em regime fechado, mas conseguiram entrar com recursos e continuaram em liberdade.

Condenados a 18 anos de reclusão, Rafael Vieria e Edmar Luiz foram apontados como os responsáveis por obrigarem os jovens a ingerir a substância. Os outros agentes receberam pena de 14 anos, pois presenciaram o crime e não fizeram nada. 

O último recurso foi negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em julho deste ano. As defesas dos PMs solicitaram habeas corpus alegando falhas nas provas do crime, mas Alexandre de Moraes, ministro relator do caso, declarou falta de fundamentação para os argumentos e manteve a decisão da Justiça. 

O crime

Segundo testemunhas, Marcos Paulo Lopes de Souza e um amigo cheiravam lança-perfume e se preparavam para fumar maconha perto de um distrito policial em Itaquera, bairro de São Paulo, quando foram abordados por uma viatura.

Os dois foram parados pelos PMs em um cruzamento e, ainda de acordo com testemunhas, o amigo de Marcos gritava que os agentes haviam os obrigado a beber solvente, encontrado em frascos próximos a uma viela, e foram ameaçados de morte.

De acordo com a acusação, os policiais militares foram embora sem relatar a abordagem nos documentos da corporação. Marcos Paulo chegou a ser socorrido por policiais civis, mas chegou sem vida ao hospital.

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